Manejo Inicial de Acidente Perfurocortante Ocupacional

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 34a, coletor de lixo hospitalar, procura a Emergência após acidente perfurocortante com agulha em polegar direito, ao manusear saco de lixo na sala de urgência, há 12 horas. Relata sangramento no local e lavagem exaustiva com água e sabão após o acidente. Nega ter carteira de vacina. A conduta imediata é:

Alternativas

  1. A) Prescrever imunoglobulina humana anti-hepatite B e tenofovir, lamivudina e efavirenz por 28 dias.
  2. B) Solicitar testes rápidos para HIV, hepatite B e hepatite C e iniciar vacinação para hepatite B.
  3. C) Solicitar exame de biologia molecular para hepatite C;prescrever zidovudina e lamivudina por 28 dias.
  4. D) Realizar acompanhamento sorológico para hepatite C por 6 meses e prescrever tenofovir por 28 dias.

Pérola Clínica

Acidente Perfurocortante → Testes rápidos imediatos (HIV, HBV, HCV) + Iniciar vacinação se suscetível.

Resumo-Chave

A conduta inicial foca na avaliação do status sorológico da fonte e do acidentado. Sem comprovação vacinal, a imunização para HBV deve ser iniciada imediatamente após os testes rápidos.

Contexto Educacional

Acidentes ocupacionais com material biológico são emergências médicas. O risco de transmissão após picada de agulha percutânea é de aproximadamente 0,3% para HIV, 3% para HCV e pode chegar a 30% para HBV em indivíduos não vacinados se a fonte for HBeAg positivo. O protocolo brasileiro preconiza o uso de testes rápidos para agilizar a decisão terapêutica. Para o HIV, a PEP atual consiste em Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir por 28 dias. Para a Hepatite B, a vacinação é a principal arma, associada à imunoglobulina em casos de alto risco. Não existe profilaxia medicamentosa eficaz (PEP) para a Hepatite C, sendo necessário o acompanhamento sorológico para detecção precoce e tratamento se houver conversão.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira conduta após o ferimento em acidente perfurocortante?

A primeira conduta deve ser o cuidado local imediato, com lavagem exaustiva da área ferida com água e sabão. Não se recomenda o uso de soluções irritantes ou a expressão forçada do local, pois isso pode aumentar a área de lesão e facilitar a entrada de patógenos. Após o cuidado local, o profissional deve procurar imediatamente o serviço de referência para avaliação de risco biológico. O tempo é crucial, especialmente para a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) do HIV, que deve ser iniciada idealmente nas primeiras 2 horas e no máximo até 72 horas após o acidente.

Como proceder se o profissional não tem carteira de vacinação para Hepatite B?

Na ausência de comprovação vacinal ou de anticorpos anti-HBs protetores (>10 mUI/mL), o profissional acidentado é considerado suscetível. A conduta imediata inclui a realização do teste rápido para HBsAg. Se o teste for negativo, deve-se iniciar ou completar o esquema vacinal (0, 1 e 6 meses). A necessidade de Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAHB) dependerá do status da fonte: se a fonte for HBsAg reagente ou desconhecida (como em lixo hospitalar de origem incerta), a IGHAHB deve ser administrada preferencialmente nas primeiras 24 horas, junto com a primeira dose da vacina em sítios diferentes.

Quais testes devem ser solicitados para o acidentado e para a fonte?

Devem ser realizados testes rápidos para HIV, Hepatite B (HBsAg) e Hepatite C (Anti-HCV) tanto no acidentado quanto na pessoa-fonte (se identificada e disponível). O teste rápido permite uma decisão imediata sobre o início da PEP. Se a fonte for negativa para os três vírus, não há indicação de profilaxia medicamentosa para o acidentado, mantendo-se apenas a atualização vacinal se necessário. Se a fonte for desconhecida, como no caso de agulhas encontradas em lixo comum ou hospitalar, a decisão de iniciar a PEP deve ser baseada na avaliação de risco epidemiológico do local do acidente.

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