Picada de Bothrops: Conduta e Tratamento Essencial

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um menino de 9 anos de idade foi levado ao pronto‑socorro pelos pais devido à picada de uma cobra (conforme figura a seguir), no pé direito, há 30 minutos. A criança apresentou dor moderada, edema, eritema e rubor local. Instituto Butantã (Bothrops jararaca). Com base nessa situação hipotética, a conduta adequada deverá ser

Alternativas

  1. A) permanecer em repouso, em observação clínica por 6 a 12 horas e analgesia.
  2. B) realizar torniquete, manter o segmento picado elevado e estendido e coletar tempo de coagulação.
  3. C) manter em observação clínica e, caso evolua com sinais de choque, administrar soro antibotrópico.
  4. D) internar e administrar soro antibotrópico intravenoso o mais precocemente possível.
  5. E) encaminhar o paciente à unidade de terapia intensiva e administrar soro antibotrópico intradérmico, no local da lesão.

Pérola Clínica

Picada de Bothrops com sinais locais → Soro antibotrópico IV precoce, internar. NUNCA torniquete.

Resumo-Chave

Em caso de picada por serpente do gênero Bothrops, a presença de dor, edema e eritema local indica envenenamento e a necessidade de soroterapia. O soro antibotrópico deve ser administrado intravenosamente o mais precocemente possível, após internação e avaliação clínica. Medidas como torniquete são contraindicadas e podem agravar o quadro.

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos por serpentes do gênero Bothrops, como a jararaca, são os mais frequentes no Brasil, representando cerca de 90% dos casos. O veneno botrópico possui ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, causando manifestações locais e sistêmicas. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é fundamental para um manejo adequado e para evitar complicações graves, sendo um tema de grande relevância para a saúde pública e para provas de residência. O diagnóstico de envenenamento botrópico é clínico, baseado na história da picada e na presença de sinais locais como dor, edema, eritema, equimose e, por vezes, bolhas. A gravidade é classificada em leve, moderada ou grave, guiando a dose do soro. A confirmação da picada por uma serpente do gênero Bothrops, mesmo sem a identificação do animal, é suficiente para iniciar o tratamento se houver sinais de envenenamento. A conduta terapêutica principal é a administração intravenosa do soro antibotrópico (SAB) o mais rápido possível, que neutraliza o veneno circulante. Medidas como torniquete, incisões ou sucção do veneno são contraindicadas. O paciente deve ser internado para observação, monitoramento de parâmetros de coagulação (tempo de coagulação), função renal e tratamento de suporte, como analgesia e profilaxia antitetânica. O conhecimento aprofundado sobre a fisiopatologia e o manejo desses acidentes é essencial para todos os profissionais de saúde, especialmente em áreas endêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de um acidente botrópico?

Os acidentes botrópicos são caracterizados principalmente por manifestações locais como dor intensa, edema, eritema, equimose e bolhas no local da picada. Podem ocorrer também sangramentos (gengivorragia, epistaxe) e, em casos graves, choque e insuficiência renal aguda.

Qual a conduta inicial para uma picada de cobra Bothrops?

A conduta inicial para uma picada de Bothrops com sinais de envenenamento é a internação hospitalar e a administração intravenosa do soro antibotrópico o mais precocemente possível. É crucial manter o paciente em repouso, hidratado e monitorar os parâmetros de coagulação e função renal.

Por que o torniquete é contraindicado em picadas de cobra?

O torniquete é contraindicado em picadas de cobra porque pode agravar o quadro local, aumentando o edema, a dor e o risco de isquemia e necrose tecidual. Além disso, não impede a disseminação sistêmica do veneno e pode dificultar a avaliação clínica e o tratamento adequado.

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