Acidente Botrópico: Manejo da Picada de Jararaca

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 28 anos, trabalhador rural, foi picado por uma serpente jararaca enquanto manejava plantações no interior do Paraná. Ele chegou ao pronto-socorro 3 horas após o acidente com edema, equimose e dor intensa no membro inferior direito (local da picada), apresentando duas marcas de dentes inoculadores. Ao exame, foram identificados sinais sistêmicos de sangramento gengival e hipotensão leve. Lesões bolhosas começaram a se formar ao redor da picada. Ele relata estar com o esquema vacinal incompleto para tétano e nega uso recente de antibióticos. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do manejo deste paciente:

Alternativas

  1. A) Pode-se classificar o acidente como moderado, e neste caso, a dose recomendada de soro antibotrópico (SAB) é de 4 a 8 ampolas.
  2. B) As principais reações adversas ao SAB incluem reações alérgicas, como urticária, e, em casos raros, anafilaxia e doença do soro. Esta última é a reação tardia, manifestada por artralgia, febre, linfadenopatia e rash cutâneo entre 5 e 14 dias após a administração do SAB..
  3. C) Lesões bolhosas ao redor do local da picada devem ser completamente debridadas e antibiótico está indicado após a drenagem em todos os casos.
  4. D) A profilaxia com antibiótico é indicada apenas em casos com infecção evidente ou necrose significativa.
  5. E) A vacina antitetânica é indicada devido ao esquema vacinal incompleto do paciente e ao risco de contaminação da ferida.

Pérola Clínica

Acidente botrópico: o manejo de lesões bolhosas (flictenas) é conservador. Antibióticos são indicados apenas em infecção secundária evidente, não de forma profilática.

Resumo-Chave

No acidente botrópico, o tratamento se baseia na soroterapia específica (SAB) e suporte. A conduta em relação às lesões locais, como bolhas, é expectante, evitando debridamento precoce que pode piorar a lesão. A antibioticoprofilaxia não é rotina.

Contexto Educacional

O acidente botrópico, causado por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), é o tipo de acidente ofídico mais comum no Brasil. O veneno possui múltiplas ações: proteolítica (causando dor, edema, necrose), coagulante (consumindo fibrinogênio e levando a incoagulabilidade sanguínea) e hemorrágica (lesando o endotélio vascular). O manejo inicial consiste na avaliação da gravidade do envenenamento (leve, moderado ou grave) com base nas manifestações locais e sistêmicas, para determinar a dose adequada de soro antibotrópico (SAB). Além da soroterapia, o tratamento inclui hidratação, analgesia e monitoramento de complicações como insuficiência renal aguda e síndrome compartimental. Um ponto crucial no manejo das complicações locais é a abordagem conservadora das flictenas (bolhas), que não devem ser debridadas profilaticamente. A antibioticoterapia não é indicada de rotina, sendo reservada para casos com infecção secundária confirmada. A profilaxia contra o tétano deve ser realizada de acordo com o histórico vacinal do paciente. O reconhecimento e manejo adequados são essenciais para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas a este agravo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do acidente botrópico?

Os sinais locais incluem dor intensa, edema, equimose e bolhas no local da picada. As manifestações sistêmicas são causadas pela ação coagulante e hemorrágica do veneno, podendo levar a sangramentos como gengivorragia, hematúria e, em casos graves, hemorragia intracraniana.

Qual a conduta correta para as bolhas (flictenas) que surgem no local da picada?

A conduta para flictenas de conteúdo seroso ou sero-hemorrágico é conservadora. Elas não devem ser rompidas ou debridadas rotineiramente, pois funcionam como um curativo biológico. A manipulação só é indicada se houver tensão excessiva ou sinais de infecção.

Quando a antibioticoterapia está indicada no acidente ofídico?

A antibioticoprofilaxia não é recomendada. O uso de antibióticos é reservado para casos com evidência clínica de infecção secundária, como celulite extensa, formação de abscesso ou sinais sistêmicos de infecção, que ocorrem em uma minoria dos casos.

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