UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 35a, procura Unidade de Pronto Atendimento por picada de cobra há 2 horas, tendo realizado torniquete local. Relata dor intensa no local, sudorese e ansiedade. Durante a consulta, apresentou epistaxe e hematêmese. Exame físico: Membros: perna direita com 2 orifícios pequenos de centro necrótico, intenso edema em panturrilha direita, 5 bolhas com centros enegrecidos e pequenas áreas de necrose. A CONDUTA É:
Acidente botrópico grave → edema, bolhas, necrose, sangramentos sistêmicos → Soro Antibotrópico (SAB) 12 ampolas IV.
A presença de dor intensa, edema extenso, bolhas, necrose local e manifestações hemorrágicas sistêmicas (epistaxe, hematêmese) configura um acidente botrópico grave. O tratamento preconizado é a soroterapia específica com Soro Antibotrópico (SAB) na dose de 12 ampolas por via intravenosa. O torniquete é contraindicado e pode agravar o quadro.
O acidente botrópico, causado principalmente por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), é o tipo de ofidismo mais comum no Brasil e representa uma emergência médica. A compreensão de suas manifestações clínicas e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações graves e sequelas. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos ocorre em áreas rurais, afetando trabalhadores agrícolas. A rápida identificação e tratamento são fundamentais para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia do envenenamento botrópico envolve a ação de toxinas proteolíticas, coagulantes e hemorrágicas. Clinicamente, o diagnóstico é feito pela história da picada e pelos achados no exame físico. Sinais locais incluem dor, edema, equimose, bolhas e necrose. Sinais sistêmicos, como sangramentos (gengivorragia, epistaxe, hematêmese) e alterações da coagulação, indicam maior gravidade. A classificação da gravidade (leve, moderado, grave) orienta a dose do soro antiveneno. O tratamento principal é a soroterapia específica com Soro Antibotrópico (SAB), administrado por via intravenosa. A dose varia conforme a gravidade, sendo 12 ampolas para casos graves. Medidas de suporte, como analgesia e profilaxia antitetânica, também são importantes. É crucial evitar práticas populares ineficazes e prejudiciais, como torniquetes, incisões ou sucção do veneno, que podem agravar o quadro local e retardar o tratamento adequado. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e correto.
Sinais de gravidade incluem edema extenso e progressivo, presença de bolhas e necrose local, sangramentos sistêmicos (gengivorragia, epistaxe, hematúria) e alterações da coagulação.
Em casos de acidente botrópico grave, a dose recomendada de Soro Antibotrópico (SAB) é de 12 ampolas, administradas por via intravenosa, diluídas em soro fisiológico.
O torniquete é contraindicado porque pode piorar o edema, causar isquemia e aumentar o risco de necrose tecidual no local da picada, além de não impedir a absorção do veneno.
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