Acidente Botrópico: Sinais Clínicos e Diagnóstico Diferencial

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente masculino de 12 anos refere que estava passeando no final da tarde na beira do rio quando sentiu uma picada na perna. No susto e com a dor que sentiu imediatamente, não conseguiu identificar o animal. Foi socorrido e levado ao hospital e na avaliação médica a perna do local da picada estava edemaciada, apresentava dor importante a palpação e notava-se área central de necrose além do aparecimento de bolhas. Apresentou gengivorragia. Refere que é comum cobras no local. Baseado na história e no exame físico o acidente ofídico deve-se a qual gênero de cobra?

Alternativas

  1. A) Elapídico
  2. B) Crotalus
  3. C) Lachesis
  4. D) Bothrops
  5. E) Micrurus

Pérola Clínica

Picada de cobra com dor intensa, edema, bolhas, necrose local e gengivorragia → Acidente botrópico (gênero Bothrops).

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa, edema, bolhas, necrose local e manifestações hemorrágicas sistêmicas como gengivorragia é altamente sugestivo de envenenamento por serpentes do gênero Bothrops (jararacas). O veneno botrópico possui ação proteolítica (causando necrose e bolhas), inflamatória (edema e dor) e coagulante/hemorrágica (gengivorragia, distúrbios de coagulação).

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos são emergências médicas importantes no Brasil, e o reconhecimento do gênero da serpente é crucial para o tratamento adequado. O caso descrito, com dor intensa, edema, área central de necrose, bolhas e gengivorragia, é classicamente associado ao envenenamento por serpentes do gênero Bothrops, popularmente conhecidas como jararacas. O veneno botrópico possui uma complexa mistura de toxinas com diversas ações. A ação proteolítica é responsável pela necrose tecidual e formação de bolhas no local da picada. A ação inflamatória causa dor e edema. As metaloproteinases e outras enzimas do veneno também atuam sobre o sistema hemostático, causando coagulopatia de consumo, que se manifesta clinicamente por sangramentos como a gengivorragia, epistaxe, hematúria e equimoses. Diferenciar os acidentes ofídicos é fundamental. Enquanto o Bothrops causa principalmente um quadro local exuberante e hemorragias sistêmicas, o gênero Crotalus (cascavel) é conhecido por sua neurotoxicidade (paralisia facial, ptose palpebral, oftalmoplegia) e miotoxicidade (mialgia, urina escura). O gênero Lachesis (surucucu) causa um quadro local e sistêmico semelhante ao botrópico, mas com maior intensidade de dor e sangramento, além de manifestações vagais. Já o gênero Micrurus (coral verdadeira) provoca neurotoxicidade grave, com paralisia muscular progressiva, sem reação local significativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do acidente botrópico?

Os principais sinais e sintomas do acidente botrópico incluem dor intensa, edema, equimose, bolhas e necrose no local da picada. Sistemicamente, pode haver manifestações hemorrágicas como gengivorragia, epistaxe, hematúria e distúrbios da coagulação.

Como diferenciar o acidente botrópico de outros acidentes ofídicos?

O acidente botrópico se caracteriza por intensa reação local (dor, edema, necrose, bolhas) e manifestações hemorrágicas sistêmicas. O acidente crotálico (Crotalus) causa neurotoxicidade (ptose, diplopia, urina escura), o laquético (Lachesis) tem dor intensa, edema e sangramento local e sistêmico, e o elapídico (Micrurus) causa neurotoxicidade sem reação local significativa.

Qual o tratamento para o acidente botrópico?

O tratamento para o acidente botrópico é a soroterapia específica com soro antibotrópico (SAB) ou soro antibotrópico-laquético (SABL), administrado por via intravenosa, o mais precocemente possível, além de medidas de suporte para as complicações.

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