UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Adolescente masculino de 12 anos refere que estava passeando no final da tarde na beira do rio quando sentiu uma picada na perna. No susto e com a dor que sentiu imediatamente, não conseguiu identificar o animal. Foi socorrido e levado ao hospital e na avaliação médica a perna do local da picada estava edemaciada, apresentava dor importante a palpação e notava-se área central de necrose além do aparecimento de bolhas. Apresentou gengivorragia. Refere que é comum cobras no local. Baseado na história e no exame físico o acidente ofídico deve-se a qual gênero de cobra?
Picada de cobra com dor intensa, edema, bolhas, necrose local e gengivorragia → Acidente botrópico (gênero Bothrops).
O quadro clínico de dor intensa, edema, bolhas, necrose local e manifestações hemorrágicas sistêmicas como gengivorragia é altamente sugestivo de envenenamento por serpentes do gênero Bothrops (jararacas). O veneno botrópico possui ação proteolítica (causando necrose e bolhas), inflamatória (edema e dor) e coagulante/hemorrágica (gengivorragia, distúrbios de coagulação).
Os acidentes ofídicos são emergências médicas importantes no Brasil, e o reconhecimento do gênero da serpente é crucial para o tratamento adequado. O caso descrito, com dor intensa, edema, área central de necrose, bolhas e gengivorragia, é classicamente associado ao envenenamento por serpentes do gênero Bothrops, popularmente conhecidas como jararacas. O veneno botrópico possui uma complexa mistura de toxinas com diversas ações. A ação proteolítica é responsável pela necrose tecidual e formação de bolhas no local da picada. A ação inflamatória causa dor e edema. As metaloproteinases e outras enzimas do veneno também atuam sobre o sistema hemostático, causando coagulopatia de consumo, que se manifesta clinicamente por sangramentos como a gengivorragia, epistaxe, hematúria e equimoses. Diferenciar os acidentes ofídicos é fundamental. Enquanto o Bothrops causa principalmente um quadro local exuberante e hemorragias sistêmicas, o gênero Crotalus (cascavel) é conhecido por sua neurotoxicidade (paralisia facial, ptose palpebral, oftalmoplegia) e miotoxicidade (mialgia, urina escura). O gênero Lachesis (surucucu) causa um quadro local e sistêmico semelhante ao botrópico, mas com maior intensidade de dor e sangramento, além de manifestações vagais. Já o gênero Micrurus (coral verdadeira) provoca neurotoxicidade grave, com paralisia muscular progressiva, sem reação local significativa.
Os principais sinais e sintomas do acidente botrópico incluem dor intensa, edema, equimose, bolhas e necrose no local da picada. Sistemicamente, pode haver manifestações hemorrágicas como gengivorragia, epistaxe, hematúria e distúrbios da coagulação.
O acidente botrópico se caracteriza por intensa reação local (dor, edema, necrose, bolhas) e manifestações hemorrágicas sistêmicas. O acidente crotálico (Crotalus) causa neurotoxicidade (ptose, diplopia, urina escura), o laquético (Lachesis) tem dor intensa, edema e sangramento local e sistêmico, e o elapídico (Micrurus) causa neurotoxicidade sem reação local significativa.
O tratamento para o acidente botrópico é a soroterapia específica com soro antibotrópico (SAB) ou soro antibotrópico-laquético (SABL), administrado por via intravenosa, o mais precocemente possível, além de medidas de suporte para as complicações.
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