Picada de Jararaca: Conduta e Classificação do Acidente

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, seringueiro (51 anos, residente em Estancia X, na área rural do município Y no Estado de São Paulo; é atendido na Unidade Básica de Saúde(UBS) com queixa de ter sido picado por uma cobra (com aparência de jararaca) no pé direito no dia 22/10/2024, há 45 minutos. Apresentou manifestação discreta como dor local, edema e parestesia. Houve piora da dor e do edema. A conduta correta do médico da UBS no dia 22/10/2024 deveria ser:

Alternativas

  1. A) Encaminhar o paciente imediatamente, por se tratar de um acidente ofídico grave, em evolução, para a unidade de referência para atendimento de acidentes por animais peçonhentos, que fica na Unidade Básica Central do município, distante há 3 km da UBS, pois o paciente deve receber 6 ampolas de soro antibotrópico;
  2. B) Encaminhar o paciente imediatamente, por se tratar de um acidente ofídico leve, em evolução, para a unidade de referência para atendimento de acidentes por animais peçonhentos, que fica no Hospital de Referência da Regional de Saúde, distante há 30 km da UBS, pois o paciente deve receber 3 ampolas de soro antibotrópico;
  3. C) Encaminhar o paciente imediatamente, por se tratar de um acidente ofídico leve, em evolução, para a unidade de referência para atendimento de acidentes por animais peçonhentos, que fica no Hospital de Referência da Regional de Saúde, distante há 130 km da UBS, pois o paciente deve receber 12 ampolas de soro antibotrópico;
  4. D) Encaminhar o paciente imediatamente, por se tratar de um acidente ofídico grave, em evolução, para a unidade de referência para atendimento de acidentes por animais peçonhentos, que fica na Unidade Básica Central do município, distante há 3 km da UBS, pois o paciente deve receber 8 ampolas de soro antibotrópico.

Pérola Clínica

Acidente botrópico leve (edema/dor local) em evolução → 2 a 4 ampolas de soro antibotrópico em hospital de referência.

Resumo-Chave

O manejo do acidente botrópico (jararaca) baseia-se na classificação da gravidade pelos sinais locais e sistêmicos. A conduta imediata é encaminhar para um centro de referência para soroterapia específica, cuja dose varia conforme a gravidade do envenenamento.

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos são uma emergência médica importante no Brasil, sendo o gênero Bothrops (jararacas) responsável pela maioria dos casos. O veneno botrópico tem ações proteolítica, coagulante e hemorrágica, resultando em manifestações locais e sistêmicas características. A abordagem inicial correta é crucial. O paciente deve ser levado o mais rápido possível a um serviço de saúde de referência. Medidas como torniquetes, incisões e sucção são proscritas. O tratamento específico é a soroterapia, e sua dosagem depende da classificação de gravidade do envenenamento. A classificação é clínica: Leve (dor e edema locais discretos, sem alterações sistêmicas), Moderado (edema e dor evidentes, podem ocorrer sangramentos discretos) e Grave (edema extenso, bolhas, necrose, sangramentos importantes e/ou instabilidade hemodinâmica e insuficiência renal). Para casos leves, como o da questão, a dose recomendada de soro antibotrópico (SAB) é de 2 a 4 ampolas. Casos moderados recebem de 4 a 8 ampolas, e casos graves, 12 ampolas. O termo 'em evolução' sinaliza que, embora os sinais iniciais sejam leves, há progressão, reforçando a necessidade de vigilância e tratamento imediatos em ambiente hospitalar adequado.

Perguntas Frequentes

Como se classifica a gravidade de um acidente botrópico?

A classificação baseia-se em manifestações locais e sistêmicas. Leve: dor e edema discretos/moderados. Moderado: edema evidente, dor intensa, podem ocorrer equimoses e sangramentos. Grave: edema extenso e duro, dor insuportável, bolhas, necrose e manifestações sistêmicas como choque e insuficiência renal.

Qual a conduta inicial na UBS para um paciente com picada de cobra?

A conduta na atenção primária é estabilizar o paciente, manter o membro afetado elevado, prover analgesia (evitar AINEs) e encaminhar imediatamente para um hospital de referência com capacidade para soroterapia. Não se deve fazer torniquetes, incisões ou aplicar substâncias no local.

Quais as principais complicações do envenenamento por jararaca?

As complicações incluem necrose local extensa, síndrome compartimental, sangramentos (gengivorragia, hematúria), coagulopatia de consumo e insuficiência renal aguda, que é a principal causa de óbito nesses acidentes.

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