Acidente Botrópico: Identificação e Tratamento com Soro

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

No atendimento do Pronto-Socorro é admitido um jovem de 19 anos, de origem indígena, que narra ter sido vítima de uma picada de cobra na mão direita, há aproximadamente 30 minutos, relatando dor local. Você constata edema e equimose local. Outros habitantes da aldeia onde reside o rapaz trouxeram a cobra sem vida ao hospital na esperança de que isso pudesse ajudar na identificação da espécie da cobra que o havia picado. À observação, nota-se que a cobra tem fosseta loreal e cauda lisa. Considerando o quadro clínico, as características da cobra e a epidemiologia brasileira dos envenenamentos por animais peçonhentos, que tipo de soro antiofídico deverá ser administrado?

Alternativas

  1. A) Soro antilonômico.
  2. B) Soro anticrotálico.
  3. C) Soro antibotrópico.
  4. D) Soro antilaquético.
  5. E) Soro antielapídico.

Pérola Clínica

Fosseta loreal + cauda lisa = Botrópico (Jararaca) → Edema, equimose e dor local intensa.

Resumo-Chave

O acidente botrópico é caracterizado por ação proteolítica, coagulante e hemorrágica local. A identificação da cobra com fosseta loreal e cauda lisa confirma o gênero Bothrops.

Contexto Educacional

O acidente botrópico é responsável por cerca de 90% dos envenenamentos ofídicos registrados no Brasil. O gênero Bothrops inclui espécies como a jararaca, urutu e jararacuçu. A fosseta loreal é a marca das serpentes peçonhentas da família Viperidae no Brasil. A fisiopatologia envolve metaloproteinases que causam dano tecidual direto e ativação da cascata de coagulação, levando ao consumo de fibrinogênio. O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico. Exames laboratoriais como o Tempo de Coagulação (TC) são úteis para monitorar a eficácia da soroterapia, mas não devem atrasar o início do tratamento em pacientes com sinais clínicos evidentes de envenenamento.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar as serpentes dos gêneros Bothrops, Crotalus e Lachesis?

Todas possuem fosseta loreal (órgão termorreceptor). A diferenciação principal é pela cauda: o gênero Bothrops (Jararaca) possui cauda lisa; o gênero Crotalus (Cascavel) possui guizo ou chocalho; e o gênero Lachesis (Surucucu-pico-de-jaca) possui a extremidade da cauda com escamas eriçadas e pontiagudas. As corais (Micrurus) não possuem fosseta loreal.

Quais são as principais manifestações clínicas do acidente botrópico?

O veneno botrópico tem ações proteolítica (inflamatória aguda), coagulante e hemorrágica. Clinicamente, o paciente apresenta dor imediata e intensa, edema progressivo, equimose e, em casos graves, bolhas e necrose. Sistemicamente, pode ocorrer alteração do tempo de coagulação, sangramentos (gengivorragia, hematúria) e insuficiência renal aguda.

Qual a conduta imediata no acidente ofídico botrópico?

A conduta inclui a limpeza do local com água e sabão, manutenção do membro elevado, hidratação vigorosa e, principalmente, a administração do soro antibotrópico específico (ou antibotrópico-laquético se houver dúvida) por via intravenosa o mais rápido possível. A dose de ampolas depende da gravidade do quadro (leve, moderado ou grave), baseada nos sinais locais e sistêmicos.

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