HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Paciente masculino, 35 anos, lavrador, morador da zona rural de Campina Grande do Sul-PR. Trazido ao pronto-socorro do Hospital Angelina Caron relatando ter sentido picada de cobra no tornozelo há aproximadamente 2 horas, enquanto trabalhava na lavoura. Queixa de dor intensa no local da mordida, edema crescente, equimose e sangramento local. O exame físico revela dois pontos de picada no tornozelo direito, com edema desde o terço médio da perna até o retropé, além de equimose local. PA 85/50 mmHg, FC 112, sudorese profusa. O paciente não identificou a cobra mas, considerando o quadro clínico apresentado e a epidemiologia de acidentes ofídicos no estado do Paraná, qual agente causador mais provável e qual a classificação de gravidade deste acidente?
Picada de Jararaca → dor, edema, equimose, sangramento local; PA ↓, FC ↑ = Acidente Grave.
O quadro clínico de dor intensa, edema crescente, equimose, sangramento local, associado a sinais sistêmicos como hipotensão e taquicardia, é altamente sugestivo de acidente botrópico (jararaca). A presença de manifestações sistêmicas e o edema extenso classificam o acidente como grave, necessitando de soroterapia imediata.
Acidentes ofídicos são emergências médicas importantes, especialmente em áreas rurais do Brasil. A identificação do tipo de serpente e a classificação da gravidade do acidente são cruciais para o manejo adequado e a administração do soro antiofídico específico. No Paraná, a jararaca (gênero Bothrops) é responsável pela vasta maioria dos acidentes. O quadro clínico descrito – dor intensa, edema crescente, equimose e sangramento local, associado a hipotensão e taquicardia – é altamente característico de um acidente botrópico. As toxinas botrópicas possuem ação proteolítica (causando necrose e edema), coagulante (levando a distúrbios de coagulação e sangramentos) e inflamatória. A presença de sinais sistêmicos como hipotensão e taquicardia indica uma resposta inflamatória sistêmica e possível choque, classificando o acidente como grave. Para residentes, é fundamental reconhecer rapidamente esses sinais e sintomas para iniciar a soroterapia antiofídica o mais precocemente possível. A dose do soro antibotrópico (SAB) é determinada pela gravidade do acidente, e a administração tardia pode levar a complicações graves, como necrose tecidual extensa, insuficiência renal aguda e coagulopatias severas. A epidemiologia local é um fator importante na suspeita do agente causador.
As manifestações clínicas de um acidente botrópico incluem dor intensa no local da picada, edema progressivo, equimose, bolhas, sangramento local e, em casos mais graves, manifestações sistêmicas como hipotensão, taquicardia, náuseas e vômitos.
A classificação de gravidade (leve, moderado, grave) de um acidente ofídico é baseada na intensidade das manifestações locais (dor, edema, equimose, bolhas) e na presença de alterações sistêmicas (coagulopatia, choque, insuficiência renal).
O tratamento para o acidente botrópico grave é a soroterapia específica com Soro Antibotrópico (SAB), administrado por via intravenosa, em doses que variam conforme a gravidade, além de medidas de suporte e analgesia.
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