Acidente Botrópico: Manejo, Monitorização e Soro Antibotrópico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

No atendimento a pacientes vítimas de acidente botrópico (jararaca), é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) abscesso não é uma complicação neste tipo de acidente, estando mais associado ao acidente crotálico.
  2. B) é indicado solicitar o tempo de coagulação na admissão e após 24h de observação do doente. Se o Tempo de Coagulação permanecer alterado, está indicada dose adicional de soro antibotrópico.
  3. C) devido à ação proteolítica do veneno botrópico, está indicado o uso de torniquetes, a fim de evitar a necrose tecidual.
  4. D) o tratamento consiste na administração de soro antibotrópico (SAB) endovenoso em 8 - 10 ampolas para quadros leves, e 10 - 12 ampolas para quadros graves.
  5. E) se estabelecido o diagnóstico de síndrome compartimental, a fasciotomia deve ser evitada para não disseminar o veneno  botrópico, mesmo que as condições de hemostasia do paciente permitam.

Pérola Clínica

Acidente botrópico: Monitorar TC na admissão e após 24h; TC alterado = dose adicional de SAB.

Resumo-Chave

A monitorização do tempo de coagulação (TC) é fundamental no manejo do acidente botrópico, pois reflete a ação coagulante do veneno. A persistência da alteração do TC após a dose inicial de soro indica necessidade de dose adicional.

Contexto Educacional

O acidente botrópico, causado principalmente por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), é o tipo de ofidismo mais comum no Brasil. O veneno botrópico possui ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, levando a manifestações locais (dor, edema, equimose, bolhas, necrose) e sistêmicas (coagulopatia, sangramentos, insuficiência renal aguda). A rápida identificação e tratamento são cruciais para minimizar sequelas. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, baseado na história da picada, identificação da serpente (se possível) e nas manifestações clínicas. A suspeita deve ser alta em qualquer picada de serpente com sinais locais de inflamação e sangramento. Exames laboratoriais como tempo de coagulação (TC), tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastia parcial ativada (TTPA) são essenciais para avaliar a coagulopatia. O tratamento consiste na administração precoce de soro antibotrópico (SAB) por via intravenosa, cuja dose varia conforme a gravidade do quadro (leve, moderado, grave). Medidas de suporte, como analgesia, hidratação e profilaxia antitetânica, também são importantes. A monitorização do TC é fundamental para avaliar a eficácia da soroterapia e indicar doses adicionais. Torniquetes e incisões no local da picada são contraindicados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um acidente botrópico?

Os acidentes botrópicos geralmente causam dor e edema local, equimose, bolhas, sangramento no local da picada, gengivorragia e, em casos graves, coagulopatia com sangramentos sistêmicos e necrose tecidual.

Qual a importância do tempo de coagulação (TC) no manejo do acidente botrópico?

O TC é um exame crucial para avaliar a coagulopatia induzida pelo veneno botrópico. Ele deve ser solicitado na admissão e repetido 24 horas após a soroterapia, sendo um indicador da necessidade de doses adicionais de soro antibotrópico se permanecer alterado.

Quando a fasciotomia é indicada em acidentes botrópicos?

A fasciotomia é uma medida extrema, indicada apenas em casos comprovados de síndrome compartimental, após a correção da coagulopatia e sob avaliação criteriosa, pois pode agravar o sangramento se a hemostasia não estiver controlada.

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