FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Paciente de 10 anos é atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município com a queixa de ter sido picado por uma cobra quando estava na beira do rio no rancho com seus pais. A picada foi no membro inferior esquerdo. Após aproximadamente 50 min do acidente chega na Emergência do Hospital (indicado como ponto estratégico - serviço onde será administrado o soro específico para acidentes por animais peçonhentos) o mais precocemente possível. No atendimento observou-se no exame físico os seguintes sintomas locais: dor, edema e hematoma no lugar da picada. A suspeita é que a cobra é do tipo Bothrops jararaca, Pergunta-se: Quais as medidas que foram tomadas pelo médico que atendeu o caso? Qual a classificação deste acidente em relação as manifestações clínicas? Qual a conduta na administração do soro?
Acidente botrópico moderado (dor, edema, hematoma) → 6 ampolas de soro antibotrópico + notificação compulsória.
A classificação da gravidade do acidente botrópico guia a dose do soro. Dor, edema e hematoma local, sem sinais sistêmicos graves ou coagulopatia intensa, indicam caso moderado. A notificação é crucial para a vigilância epidemiológica.
O acidente botrópico, causado principalmente por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), é o tipo mais comum de acidente ofídico no Brasil, representando cerca de 90% dos casos. É uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento adequado para prevenir complicações locais e sistêmicas. A identificação precoce e a classificação da gravidade são cruciais para a conduta terapêutica. A fisiopatologia envolve a ação de toxinas proteolíticas, coagulantes e hemorrágicas, que causam dor intensa, edema, equimose, bolhas e necrose local, além de distúrbios de coagulação e, em casos graves, insuficiência renal aguda. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, baseado na história da picada e nas manifestações locais e sistêmicas. A classificação da gravidade (leve, moderado, grave) é feita com base nos sinais e sintomas, guiando a dose do soro. O tratamento principal é a soroterapia específica com soro antibotrópico, que neutraliza as toxinas. A dose varia conforme a gravidade: 2-4 ampolas para leve, 6 ampolas para moderado e 10-12 ampolas para grave. Medidas de suporte, como analgesia, profilaxia antitetânica e antibioticoterapia para infecção secundária, são importantes. A notificação do caso à Vigilância Epidemiológica é obrigatória.
Um acidente botrópico moderado é caracterizado por dor, edema e equimose/hematoma no local da picada, podendo haver bolhas e sangramento discreto. Não há sinais sistêmicos graves ou coagulopatia intensa.
Para um acidente botrópico classificado como moderado, a dose recomendada é de 6 ampolas de soro antibotrópico, administradas por via intravenosa.
A notificação de acidentes ofídicos é compulsória e essencial para a vigilância epidemiológica, permitindo monitorar a incidência, planejar a distribuição de soros e implementar medidas de prevenção e controle.
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