HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2024
Considere que um homem chega ao pronto atendimento com relato de acidente ofídico. Os exames feitos demonstraram alteração da atividade de protrombina, PTT e fibrinogênio. São diagnósticos diferenciais desse acidente, exceto:
Coagulopatia (TP/PTT ↑, fibrinogênio ↓) → acidentes Botrópico, Laquético, Crotálico. Elapídico → neurotoxicidade.
Acidentes ofídicos que causam coagulopatia (alteração de TP, PTT e fibrinogênio) são tipicamente os causados por serpentes dos gêneros Bothrops (jararaca), Lachesis (surucucu) e Crotalus (cascavel). O veneno elapídico (Micrurus - coral) é predominantemente neurotóxico e não causa coagulopatia significativa.
Os acidentes ofídicos são emergências médicas importantes no Brasil, com diferentes serpentes causando quadros clínicos distintos. A identificação do gênero da serpente é crucial para o tratamento adequado, especialmente a soroterapia. Os venenos das serpentes brasileiras podem ser classificados principalmente em: botrópico (Bothrops - jararaca), laquético (Lachesis - surucucu), crotálico (Crotalus - cascavel) e elapídico (Micrurus - coral). Os venenos botrópico, laquético e crotálico são conhecidos por induzir coagulopatias, com diferentes mecanismos. O veneno botrópico e laquético possuem atividade proteolítica e coagulante, levando a consumo de fatores de coagulação e sangramentos. O veneno crotálico pode ter ação trombina-like e miotóxica, além de neurotóxica, também alterando a coagulação. Por outro lado, o veneno elapídico (coral) é predominantemente neurotóxico, causando paralisia muscular progressiva, incluindo a musculatura respiratória, mas não induz alterações significativas na cascata de coagulação. Portanto, a presença de alteração na atividade de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (PTT) e fibrinogênio é um achado que exclui o acidente elapídico como causa principal da coagulopatia.
O acidente botrópico causa dor e edema local, sangramentos (gengivorragia, equimoses), e alterações da coagulação (TP e PTT prolongados, fibrinogênio reduzido).
O veneno crotálico, além de neurotoxicidade e miotoxicidade, pode causar coagulopatia por ação trombina-like e consumo de fibrinogênio, levando a tempo de coagulação e TP/PTT alterados.
O acidente elapídico (coral) é caracterizado por neurotoxicidade, causando ptose palpebral, oftalmoplegia, diplopia, disfagia e paralisia respiratória, sem alterações significativas na coagulação.
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