TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que um homem de 32 anos de idade chega ao pronto-socorro no norte de Minas Gerais, com relato de ter sido picado por cobra há duas horas, queixa dor, nega náuseas e vômitos. Ao exame físico; bom estado geral, PA = 130/80 mmHg; FC = 90 bpm. Apresenta, no local da picada, edema e equimose evidentes e sangramento sem comprometimento. Entre os exames complementares distúrbio leve de coagulação. Nesse caso, qual soro deve ser aplicado?
Edema + Equimose + Sangramento local/coagulopatia → Acidente Botrópico.
O acidente botrópico é caracterizado por ação proteolítica (inflamação local) e coagulante. A ausência de sintomas neurotóxicos ou miotóxicos direciona o diagnóstico para o gênero Bothrops.
O ofidismo é uma emergência médica comum em áreas rurais do Brasil. O gênero Bothrops responde por cerca de 90% dos acidentes. A fisiopatologia envolve proteases e metaloproteinases que causam necrose tecidual e hemorragias. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na anamnese e nos sinais físicos locais. O tempo de coagulação (TC) é uma ferramenta útil para monitorar a eficácia da soroterapia, devendo ser repetido após 24 horas do tratamento. Complicações como síndrome compartimental e insuficiência renal aguda devem ser monitoradas, especialmente em casos graves com grande destruição tecidual ou hipovolemia.
O acidente botrópico, causado por serpentes do gênero Bothrops (como a jararaca), é o mais comum no Brasil. Clinicamente, manifesta-se por ação inflamatória local intensa, com dor, edema, equimose e, por vezes, formação de bolhas. Além disso, possui ação coagulante, podendo levar ao consumo de fibrinogênio e prolongamento do tempo de coagulação, e ação hemorrágica por lesão endotelial. Diferencia-se do acidente crotálico pela presença marcante de sinais inflamatórios locais, que são escassos ou ausentes no envenenamento por cascavel.
A gravidade é classificada em leve, moderada ou grave, baseando-se na intensidade das manifestações locais e sistêmicas. No caso leve, há edema discreto e alterações de coagulação mínimas; no moderado, o edema é evidente e pode haver hemorragias sistêmicas leves; no grave, há choque, insuficiência renal ou hemorragias graves. O tratamento é feito com soro antibotrópico (SAB) por via intravenosa, sendo 2 a 4 ampolas para casos leves, 5 a 8 para moderados e 12 para casos graves, visando neutralizar o veneno circulante.
O soro anticrotálico é específico para o veneno de cascavel (Crotalus), que possui ação neurotóxica, miotóxica e coagulante. O quadro clínico típico da cascavel inclui a 'fácies miastênica' (ptose palpebral, diplopia), mialgia generalizada e urina escura (mioglobinúria), com mínima reação inflamatória no local da picada. Como o paciente apresenta edema e equimose evidentes com sangramento local, o diagnóstico clínico aponta para Bothrops, tornando o soro anticrotálico ineficaz para neutralizar as toxinas presentes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo