Acidente Botrópico: Complicações e Manejo Essencial

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024

Enunciado

Ainda sobre os acidentes ofídicos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Acidentes crotálicos são mais comuns em áreas litorâneas e podem cursar com manifestações neurológicas, sendo a paralisia flácida uma das mais frequentes.
  2. B) Cobras corais verdadeiras são extremamente agressivas e a dose do soro antielapídico varia de acordo com a classificação de gravidade do acidente, que pode ser leve, moderado ou grave
  3. C) Nos casos de acidente botrópico, deve-se atentar para complicações tais como síndrome compartimental, abscessos, necrose e lesão renal aguda.
  4. D) Considerando a abundante flora bacteriana presente na saliva das cobras, antibioticoterapia precoce está indicada em todos os acidentes ofídicos.
  5. E) Não há necessidade de profilaxia para tétano nos casos de acidente ofídico.

Pérola Clínica

Acidente botrópico (Jararaca) → Efeitos locais graves (necrose, síndrome compartimental) + sistêmicos (coagulopatia, LRA).

Resumo-Chave

Acidentes botrópicos, causados por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), são os mais comuns no Brasil e caracterizam-se por efeitos locais intensos (dor, edema, equimose, bolhas, necrose) e sistêmicos (coagulopatia, sangramentos, lesão renal aguda). A síndrome compartimental e a formação de abscessos são complicações locais importantes que exigem atenção.

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos são emergências médicas importantes no Brasil, com o gênero Bothrops (jararacas) sendo responsável pela maioria dos casos (cerca de 90%). O veneno botrópico possui ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e nefrotóxica, resultando em um quadro clínico complexo que exige atenção. As manifestações locais são proeminentes, incluindo dor intensa, edema progressivo, equimose, bolhas e, em casos mais graves, necrose tecidual e formação de abscessos. A síndrome compartimental é uma complicação séria que pode ocorrer devido ao edema e extravasamento de fluidos, comprometendo a perfusão tecidual e exigindo intervenção cirúrgica (fasciotomia). As manifestações sistêmicas incluem coagulopatia (com sangramentos), hipotensão e lesão renal aguda, que pode ser causada por nefrotoxicidade direta do veneno ou por complicações secundárias como rabdomiólise. O tratamento principal é a soroterapia específica (soro antibotrópico), administrada o mais precocemente possível. Além disso, é crucial realizar a profilaxia antitetânica, analgesia, hidratação e monitoramento rigoroso para identificar e tratar precocemente as complicações. A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada de forma profilática, mas deve ser considerada em caso de sinais de infecção secundária.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas do acidente botrópico?

As manifestações incluem dor intensa e edema local, equimose, bolhas, sangramentos (gengivorragia, epistaxe), coagulopatia e, em casos graves, lesão renal aguda e necrose tecidual.

Quando suspeitar de síndrome compartimental em um acidente ofídico?

Deve-se suspeitar de síndrome compartimental quando há dor desproporcional ao edema, parestesias, palidez, diminuição da sensibilidade e dor à extensão passiva dos dedos, exigindo avaliação e possível fasciotomia.

Qual a importância da profilaxia antitetânica em acidentes ofídicos?

A profilaxia antitetânica é fundamental em todos os acidentes ofídicos, pois a lesão da pele e tecidos profundos, muitas vezes contaminada, cria um ambiente propício para a proliferação de Clostridium tetani.

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