Acesso Venoso em Choque: ATLS e Velocidade de Infusão

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 31a, vítima de acidente automobilístico, é trazida ao Pronto Socorro com queixa de dor na perna direita. Exame físico: PA=84/63mmHg; FC=125bpm; FR=24irpm; oximetria de pulso=93% (ar ambiente); Exame físico: Extremidades: deformidade na coxa direita com edema e dor local, e pulso pedioso presente.Restante do exame físico sem anormalidades. Entre as condutas iniciais, é importante o acesso venoso. Na sala de emergência estão disponíveis cateteres para acesso venoso central e periférico, de diversos calibres.DE ACORDO COM O ATLS 10a. EDIÇÃO, O DISPOSITIVO (TIPO E CALIBRE) QUE PROPORCIONA MAIOR VELOCIDADE DE FLUXO DE ADMINISTRAÇÃO DE SOLUÇÕES INTRAVENOSAS É:

Alternativas

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico: acesso venoso periférico de grosso calibre (14G/16G) para máxima velocidade de infusão.

Resumo-Chave

Em situações de choque hipovolêmico, a prioridade é a rápida reposição volêmica. De acordo com o ATLS, cateteres venosos periféricos de grosso calibre (14G ou 16G) são preferíveis aos centrais, pois oferecem maior velocidade de fluxo devido ao menor comprimento e maior diâmetro, otimizando a reanimação.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente traumatizado com choque hipovolêmico é uma das situações mais críticas na medicina de emergência. A rápida reposição volêmica é fundamental para restaurar a perfusão tecidual e estabilizar o paciente. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) da 10ª edição estabelece diretrizes claras para o estabelecimento de acesso venoso, enfatizando a importância da velocidade de infusão. A fisiopatologia do choque hipovolêmico envolve a perda de volume sanguíneo circulante, levando à diminuição do débito cardíaco e perfusão inadequada dos órgãos. A reanimação volêmica visa repor esse volume perdido. A Lei de Poiseuille, que descreve o fluxo de fluidos através de um tubo, é crucial para entender a escolha do cateter: o fluxo é diretamente proporcional à quarta potência do raio do cateter e inversamente proporcional ao seu comprimento e à viscosidade do fluido. Isso significa que um pequeno aumento no diâmetro do cateter tem um impacto muito maior na velocidade de fluxo do que uma redução no seu comprimento. Portanto, a conduta recomendada pelo ATLS é a obtenção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (preferencialmente 14G ou 16G) em veias de grande calibre, como as da fossa antecubital. Embora cateteres centrais possam ser necessários para monitorização ou acesso a longo prazo, eles geralmente têm um comprimento maior e diâmetro menor do que os periféricos de grosso calibre, resultando em taxas de infusão mais lentas. A escolha do dispositivo correto é um ponto crítico para otimizar a reanimação e melhorar o prognóstico do paciente em choque.

Perguntas Frequentes

Qual o tipo de acesso venoso preferencial para infusão rápida em choque hipovolêmico, segundo o ATLS?

O ATLS recomenda o uso de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (14G ou 16G) para a infusão rápida de fluidos em pacientes com choque hipovolêmico.

Por que cateteres periféricos de grosso calibre são mais eficazes para infusão rápida do que cateteres centrais?

Cateteres periféricos de grosso calibre permitem maior velocidade de fluxo devido ao seu menor comprimento e maior diâmetro, conforme a Lei de Poiseuille, superando a capacidade de muitos cateteres centrais para infusão rápida.

Quais são as considerações ao escolher o calibre do cateter para reanimação volêmica?

Para reanimação volêmica rápida, deve-se priorizar o maior calibre possível (menor número G) e o menor comprimento, a fim de maximizar a taxa de fluxo e otimizar a entrega de fluidos.

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