Acesso Venoso em Queimaduras Graves: Guia para Residentes

FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2022

Enunciado

Incêndio domiciliar: casa de dois andares, completamente tomada de fogo e fumaça preta, saindo por janelas e pelo teto. O paciente RSF, 25 anos, voltou para resgatar o cão e foi retirado pelos bombeiros, totalmente inconsciente. Num primeiro exame, apresentava se inconsciente, respirando espontaneamente, mas com dificuldades. O cabelo apresentava-se chamuscado, além de queimaduras de 2˚ grau na face e pescoço, como um todo, na região anterior do tórax e abdômen, nos 2 braços / ante-braços e nas duas mãos. Queimadura circunferencial em MMSS, pulso palpável, porém apresentando membro bastante edemaciado. FC de 128 bpm, FR de 26 irpm, PA de 148/94 mmHg, SaO2 de 92%. Peso 75 kg. O paciente foi transferido para o Pronto Socorro 25 de Dezembro, pelos bombeiros. Chegando lá foi atendido no box de politrauma por uma equipe multidisciplinar, comporta por um cirurgião, dois residentes, um enfermeiro e dois técnicos de enfermagem. O tempo decorrido do acidente e referido à equipe de trauma foi de 3 horas. Agora são 13h de quinta-feira. A ressuscitação volêmica desse paciente deve ser realizada através de:

Alternativas

  1. A) Punção venosa periférica com cateteres curtos
  2. B) Via enteral (sonda naso-enteral)
  3. C) Punção venosa central com cateteres longos
  4. D) Via oral (200 ml a cada hora)

Pérola Clínica

Queimaduras extensas → acesso venoso periférico calibroso em área não queimada para ressuscitação volêmica.

Resumo-Chave

Em pacientes com queimaduras extensas, o acesso venoso periférico é a via preferencial para a ressuscitação volêmica inicial. Cateteres curtos e calibrosos permitem um fluxo rápido de fluidos, sendo mais eficazes que cateteres centrais longos, que têm maior resistência ao fluxo e risco de complicações.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente grande queimado é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida. A ressuscitação volêmica é crucial para prevenir o choque hipovolêmico, uma das principais causas de mortalidade precoce. A extensão e profundidade das queimaduras, a presença de lesão inalatória e a idade do paciente são fatores determinantes na gravidade do quadro e na necessidade de fluidos. A fisiopatologia do grande queimado envolve uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a um aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de fluidos para o espaço intersticial, resultando em edema e hipovolemia. O cálculo da quantidade de fluidos é feito por fórmulas como a de Parkland, que considera a superfície corporal queimada (SCQ) e o peso do paciente. A monitorização contínua da resposta à ressuscitação é fundamental, avaliando débito urinário, frequência cardíaca e pressão arterial. Para a ressuscitação volêmica, o acesso venoso periférico é a via de escolha. Devem ser puncionadas duas veias periféricas calibrosas, preferencialmente em áreas não queimadas. Se não for possível, pode-se puncionar através da pele queimada. O acesso central é reservado para situações em que o acesso periférico é inviável ou para monitorização hemodinâmica mais avançada, mas não é a primeira opção para a infusão rápida de grandes volumes devido à maior resistência ao fluxo e riscos associados.

Perguntas Frequentes

Qual o acesso venoso preferencial em pacientes com queimaduras extensas?

O acesso venoso periférico com cateteres curtos e calibrosos é o preferencial. Ele permite um fluxo rápido de fluidos e é mais seguro que o acesso central em emergências.

Por que não usar acesso venoso central em queimaduras?

Cateteres centrais longos possuem maior resistência ao fluxo, tornando-os menos eficazes para ressuscitação volêmica rápida. Além disso, a inserção pode ser mais demorada e associada a maiores riscos de complicações agudas.

Como a queimadura circunferencial afeta o manejo do acesso?

A queimadura circunferencial pode levar a edema significativo, comprometendo a circulação distal. Embora possa dificultar a visualização das veias, o acesso periférico ainda é a primeira escolha, podendo ser necessário realizar escarotomia para aliviar a pressão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo