HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024
Um homem de 60 anos de idade foi encontrado à beira da estrada em dia frio e chuvoso, próximo a um carro capotado. Ao chegar ao Serviço de Emergência, apresentava escoriações em face e abdome, pulsos carotídeos fracos e filiformes, temperatura igual a 34°C, FC = 40bpm, Pressão Arterial inaudível e 3 pontos na escala de coma Glasgow, não se conseguindo acesso venoso periférico. Nesse caso, é CORRETO afirmar que a conduta imediata é:
Paciente em choque hipovolêmico + hipotermia grave + sem acesso periférico → acesso venoso central imediato.
Em um paciente politraumatizado, em choque hipovolêmico grave e hipotermia, com impossibilidade de acesso venoso periférico, o acesso venoso central é a conduta imediata e prioritária para iniciar a reposição volêmica e de aquecimento, vital para a reanimação.
O manejo de um paciente politraumatizado com hipotermia grave e choque hipovolêmico é um desafio complexo na emergência, exigindo uma abordagem sistemática e priorização de condutas. A hipotermia, especialmente em traumas, agrava o choque, levando à coagulopatia, acidose e arritmias cardíacas, formando a "tríade letal" do trauma. A prioridade inicial é sempre a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABCDE), mas em casos de choque refratário e hipotermia, o acesso vascular torna-se primordial. Nesse cenário, onde o acesso venoso periférico é inviável devido à vasoconstrição e hipotensão, o acesso venoso central (jugular interna, subclávia ou femoral) é a conduta imediata e mais eficaz. Ele permite a infusão rápida de grandes volumes de fluidos mornos (cristaloides e hemoderivados), essenciais para combater o choque e iniciar o reaquecimento do paciente. A administração de fluidos mornos é vital para elevar a temperatura corporal e melhorar a perfusão. Outras medidas, como a massagem cardíaca externa e a administração de adrenalina, devem ser consideradas com cautela em hipotermia grave. O coração hipotérmico é menos responsivo a medicamentos e mais propenso a arritmias induzidas por manipulação. O reaquecimento ativo e a reposição volêmica são os pilares para estabilizar o paciente antes de outras intervenções. A monitorização contínua e a busca ativa por outras lesões traumáticas são igualmente importantes.
O acesso venoso central é prioritário porque o paciente está em choque grave (PA inaudível, pulsos filiformes) e hipotermia, dificultando o acesso periférico. É essencial para a rápida infusão de fluidos mornos, hemoderivados e medicamentos, além de permitir a monitorização da PVC.
Em hipotermia grave, o miocárdio é mais irritável. A massagem cardíaca externa pode induzir arritmias ventriculares graves, como fibrilação ventricular, especialmente antes de iniciar o reaquecimento e a estabilização.
O aquecimento é crucial para reverter os efeitos deletérios da hipotermia, como bradicardia, coagulopatia e disfunção metabólica. Fluidos mornos e cobertores térmicos são medidas iniciais importantes, mas o acesso central permite aquecimento mais eficaz.
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