Laparoscopia: Acesso Seguro em Cirurgias Prévias

HCE - Hospital Central do Exército (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Dentre as localizações abaixo, qual é considerada opção aceitável para colocação de agulha de insuflação em mulher que será submetida à laparoscopia, e que possui história de duas laparoscopias prévias para doença pélvica?

Alternativas

  1. A) Quadrante superior direito;
  2. B) Quadrante superior esquerdo; 
  3. C) Suprapúbico; 
  4. D) Ponto de McBurney; 
  5. E) Quadrante inferior esquerdo. 

Pérola Clínica

Laparoscopia com cirurgias prévias → Acesso seguro via ponto de Palmer (QSE) para evitar aderências.

Resumo-Chave

Em pacientes com história de cirurgias abdominais prévias, o risco de aderências na região umbilical e hipogástrica é elevado. Para evitar lesões viscerais durante a inserção da agulha de Veress ou trocarte, o quadrante superior esquerdo (ponto de Palmer) é uma alternativa segura, pois essa região geralmente é livre de aderências.

Contexto Educacional

O acesso à cavidade abdominal é o primeiro e um dos mais críticos passos em qualquer procedimento laparoscópico. A segurança do acesso é primordial para evitar complicações graves. Em pacientes sem história de cirurgias abdominais, o acesso umbilical é o mais comum. No entanto, a presença de cicatrizes cirúrgicas prévias aumenta significativamente o risco de aderências intra-abdominais, especialmente na região periumbilical e pélvica. A fisiopatologia das aderências envolve a cicatrização peritoneal após trauma cirúrgico, inflamação ou infecção. Em pacientes com múltiplas laparoscopias prévias para doença pélvica, a probabilidade de aderências densas é alta. Nesses casos, a inserção cega da agulha de Veress ou do trocarte primário na cicatriz umbilical pode levar a lesões intestinais ou vasculares. O ponto de Palmer, localizado 3 cm abaixo da margem costal esquerda na linha hemiclavicular, oferece uma alternativa mais segura, pois essa área é menos propensa a aderências. A escolha do local de acesso deve ser individualizada, considerando a história cirúrgica do paciente. Além do ponto de Palmer, outras opções incluem o acesso aberto (técnica de Hasson) ou o acesso guiado por ultrassom. A compreensão dessas alternativas e seus riscos é fundamental para a segurança do paciente e para a prática cirúrgica de residentes.

Perguntas Frequentes

Por que o ponto de Palmer é considerado mais seguro em pacientes com cirurgias prévias?

O ponto de Palmer, no quadrante superior esquerdo, é geralmente menos propenso a aderências intestinais após cirurgias pélvicas ou abdominais inferiores, reduzindo o risco de lesão visceral durante a inserção da agulha de Veress.

Quais são os riscos de um acesso laparoscópico inadequado?

Os riscos incluem lesão de órgãos (intestino, bexiga, vasos sanguíneos), sangramento, infecção, hérnia incisional e, em casos graves, perfuração intestinal com peritonite.

Quando se deve considerar a técnica aberta (Hasson) para o acesso laparoscópico?

A técnica aberta é indicada em pacientes com alto risco de aderências, obesidade mórbida, ou quando há dificuldade no acesso percutâneo, permitindo a visualização direta da parede abdominal e da cavidade.

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