Acesso Intraósseo no Trauma: Quando e Como Indicar

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem 18 anos dá entrada na emergência, vítima de atropelamento por carro. No atendimento inicial ao traumatizado, verificou-se que o paciente está com a via aérea pérvia, com colar cervical e saturação O₂ = 94%. A pressão arterial está 60 x 40 mmHg e FC = 140 bpm. A equipe de atendimento está tentando obter os acessos venosos calibrosos, sem sucesso (3 tentativas). Qual o acesso mais indicado preconizado pelo ATLSTM para iniciar a ressuscitação volêmica do paciente nessa situação?

Alternativas

  1. A) Via intramuscular.
  2. B) Dissecção venosa.
  3. C) Via intraóssea.
  4. D) Via arterial.
  5. E) Acessos venosos centrais.

Pérola Clínica

Falha em 2-3 tentativas de acesso periférico no trauma grave → Acesso Intraósseo (IO) imediato.

Resumo-Chave

O ATLS preconiza que, na impossibilidade de obter acesso venoso periférico rápido em pacientes em choque, a via intraóssea é a alternativa preferencial por ser rápida, segura e permitir a infusão de qualquer fluido ou droga.

Contexto Educacional

No atendimento inicial ao trauma, a circulação (C do ABCDE) foca no controle da hemorragia e na restauração do volume intravascular. O paciente do caso apresenta choque classe IV (hipotensão e taquicardia severa). A via intraóssea revolucionou o atendimento de emergência por permitir um acesso vascular em menos de 30-60 segundos com dispositivos modernos (furadeiras IO). Embora a dissecção venosa da veia safena tenha sido muito ensinada no passado, ela é hoje considerada uma técnica de exceção devido ao tempo necessário e ao risco de complicações, sendo preterida pela via intraóssea no protocolo ATLS atual.

Perguntas Frequentes

Quando o acesso intraósseo é indicado no trauma segundo o ATLS?

De acordo com o ATLS (Advanced Trauma Life Support), o acesso intraósseo (IO) é indicado sempre que o acesso venoso periférico não puder ser estabelecido de forma rápida e eficaz em um paciente traumatizado com instabilidade hemodinâmica ou necessidade urgente de fluidos e medicamentos. O protocolo sugere que, após duas ou três tentativas frustradas de punção venosa periférica em veias antecubitais, deve-se progredir imediatamente para a via intraóssea. No cenário de choque hipovolêmico grave (Classe III ou IV), a demora na obtenção de um acesso pode ser fatal, tornando a via IO a escolha de resgate prioritária antes de considerar procedimentos mais demorados como a dissecção venosa ou o acesso central.

Quais são os locais preferenciais para punção intraóssea em adultos?

Os locais mais comuns e recomendados para a inserção de dispositivos intraósseos em adultos são a tíbia proximal (aproximadamente 2 cm medial à tuberosidade da tíbia, na face plana do osso), o úmero proximal (grande tuberosidade) e a tíbia distal (acima do maléolo medial). O úmero proximal tem ganhado preferência em alguns protocolos de trauma devido às taxas de fluxo mais elevadas, comparáveis às de um acesso venoso central, e à proximidade com a circulação central. O esterno também pode ser utilizado com dispositivos específicos. É fundamental evitar ossos fraturados, locais com infecção cutânea sobrejacente ou áreas com próteses ortopédicas prévias.

Quais fluidos e medicações podem ser administrados pela via intraóssea?

Praticamente qualquer substância que possa ser administrada por via intravenosa pode ser infundida com segurança pela via intraóssea. Isso inclui cristaloides (Ringer Lactato, Soro Fisiológico), coloides, sangue total e hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas), além de medicamentos de emergência como adrenalina, atropina, bicarbonato e antibióticos. A farmacocinética das drogas administradas via IO é idêntica à da via venosa central, pois o plexo venoso medular drena diretamente para a circulação sistêmica. Devido à resistência mecânica da medula óssea, a infusão de grandes volumes de fluidos geralmente requer o uso de pressurizadores ou infusão manual sob pressão (bolus).

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