PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Uma equipe de Saúde da Família, que atende uma área adscrita com elevada demanda espontânea de queixas agudas, implementou a metodologia do "Acesso Avançado". Após três meses, a equipe observa uma redução na demanda reprimida e no absenteísmo, porém nota que uma parcela considerável dos atendimentos de demanda espontânea, inicialmente acolhida, não evolui para um cuidado longitudinal, sendo resolvida de forma pontual, como em uma unidade de pronto-atendimento. Considerando os atributos essenciais da APS e as ferramentas de gestão do acesso, qual a falha mais provável na aplicação do Acesso Avançado neste cenário?
Acesso Avançado = Resolver hoje a queixa de hoje sem fragmentar o vínculo longitudinal.
O sucesso do Acesso Avançado depende de usar o encontro agudo como porta de entrada para o cuidado contínuo, evitando a 'pronto-atendimentozação'.
A gestão do acesso é um dos maiores desafios da Estratégia Saúde da Família no Brasil. O Acesso Avançado (Advanced Access) rompe com a lógica de agendas lotadas com meses de antecedência, que geram altos índices de falta. Contudo, a implementação exige mudança cultural da equipe. O acolhimento não deve ser uma triagem excludente, mas um processo de escuta qualificada que identifica riscos e vulnerabilidades. A questão destaca que a agilidade no acesso não pode comprometer a profundidade do cuidado biopsicossocial e a continuidade que definem a Atenção Primária.
A falha reside na perda da longitudinalidade. O Acesso Avançado visa reduzir a espera, mas o profissional deve aproveitar o contato da demanda espontânea para atualizar o plano de cuidado do paciente (rastreamentos, condições crônicas, vínculo). Se o atendimento se limita à queixa aguda, a APS funciona apenas como um pronto-atendimento, ferindo seus atributos essenciais.
O modelo preconiza 'faça hoje o trabalho de hoje'. Isso significa que a maioria das vagas (65-75%) deve estar aberta para agendamento no próprio dia. No entanto, o tempo clínico deve ser usado de forma abrangente. Se um paciente vem por uma dor de garganta, mas é hipertenso e não colhe preventivo há anos, essas demandas devem ser abordadas ou pactuadas no mesmo encontro.
Quando bem aplicado, reduz o absenteísmo (pois o paciente marca para quando precisa), diminui a demanda reprimida e aumenta a satisfação do usuário. Fundamentalmente, fortalece o vínculo, pois o paciente sabe que terá acesso à sua equipe de referência quando necessário, evitando que ele busque UPAs ou hospitais para casos que a APS resolve.
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