HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2025
A presença de acantose nigricans sugere resistência insulínica, característica central na patogênese do diabetes mellitus tipo 2.
Acantose nigricans = marcador cutâneo de hiperinsulinemia/resistência insulínica → investigar DM2, síndrome metabólica ou SOP.
A acantose nigricans é uma manifestação cutânea da resistência insulínica. Níveis cronicamente elevados de insulina estimulam os receptores de fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) nos queratinócitos, levando à hiperplasia epidérmica e hiperpigmentação.
A acantose nigricans é uma dermatose caracterizada por hiperpigmentação e hiperqueratose, que conferem um aspecto aveludado e espessado à pele, predominantemente em áreas de dobras. Embora possa ter diversas causas, sua associação mais comum e clinicamente relevante é com estados de resistência à insulina, como a obesidade, a síndrome metabólica e o diabetes mellitus tipo 2. A fisiopatologia central envolve a hiperinsulinemia compensatória. Níveis cronicamente elevados de insulina no sangue extravasam sua função metabólica e começam a se ligar a outros receptores, notadamente os receptores do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) presentes nos queratinócitos e fibroblastos da derme. Essa estimulação anormal promove a proliferação celular, resultando nas alterações cutâneas características. Portanto, a acantose nigricans funciona como um importante marcador cutâneo de um distúrbio metabólico sistêmico. Diante de um paciente com acantose nigricans, a abordagem diagnóstica deve focar na investigação de resistência insulínica e suas comorbidades. O tratamento não é direcionado à lesão de pele em si, mas à condição de base. Medidas que melhoram a sensibilidade à insulina, como perda de peso, dieta e atividade física, podem levar à melhora ou resolução completa das lesões cutâneas.
As lesões hiperpigmentadas e aveludadas aparecem tipicamente em áreas de dobras (intertriginosas), como a região posterior e lateral do pescoço, axilas, virilhas e região inframamária.
A conduta inicial é investigar a causa subjacente, principalmente a resistência insulínica. Devem ser solicitados exames como glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, se necessário, teste de tolerância oral à glicose para rastrear pré-diabetes e diabetes.
A acantose nigricans maligna é rara e está associada a neoplasias internas (paraneoplasia), principalmente adenocarcinoma gástrico. Geralmente tem início súbito, é mais extensa, sintomática (prurido) e pode acometer mucosas, palmas e plantas, em um paciente mais velho e sem obesidade.
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