Acantose Nigricans no Diabetes: Diagnóstico e Reversibilidade

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Considere uma paciente de 54 anos de idade, diabética (HbA1c = 8,2%), cardiopata isquêmica com infarto agudo do miocárdio prévio e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Encontra-se em tratamento para diabetes com metformina 850 mg três vezes ao dia e glibenclamida 5 mg pela manhã. No exame físico, chama a atenção a presença de manchas hiperpigmentadas/escurecidas em áreas de dobras. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatados, bem como nas últimas diretrizes mundiais relacionadas ao tratamento da diabetes, publicadas em 2019, julgue o item a seguir. Essa paciente tem acantose nigricans, que é comum em pacientes diabéticos e obesos. Essas lesões de pele nunca melhoram com o tratamento.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Acantose nigricans = marcador de resistência insulínica; melhora com perda de peso e controle glicêmico.

Resumo-Chave

A acantose nigricans é uma dermatose que reflete o hiperinsulinismo compensatório; as lesões são reversíveis com o tratamento da causa metabólica subjacente.

Contexto Educacional

A acantose nigricans é um sinal clínico fundamental na semiologia endócrina, servindo como um marcador da resistência insulínica periférica. Fisiopatologicamente, o estado de hiperinsulinemia crônica promove uma ativação cruzada de receptores de crescimento, alterando a homeostase epidérmica. No contexto do Diabetes Mellitus tipo 2, sua presença reforça a necessidade de estratégias terapêuticas voltadas para a sensibilização insulínica. Além do manejo metabólico, tratamentos tópicos como ceratolíticos (ácido salicílico, retinoides) podem ser usados para fins estéticos, mas a resolução definitiva depende do controle sistêmico. É imperativo que o clínico diferencie a forma benigna (ligada à obesidade/insulina) da forma maligna, que apresenta início abrupto, envolvimento de mucosas e localização atípica, exigindo investigação oncológica imediata.

Perguntas Frequentes

O que causa a acantose nigricans no paciente diabético?

A causa principal é a resistência à insulina. O excesso de insulina circulante (hiperinsulinismo) liga-se aos receptores do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) nos queratinócitos e fibroblastos dérmicos. Essa ligação estimula a proliferação excessiva dessas células, resultando no espessamento da epiderme (acantose) e no aspecto aveludado e escurecido da pele, tipicamente em áreas de dobras como pescoço, axilas e virilhas.

As lesões de acantose nigricans podem desaparecer?

Sim, as lesões são potencialmente reversíveis. O tratamento foca na causa subjacente: a redução da resistência à insulina. Isso é alcançado através de mudanças no estilo de vida (dieta e exercício para perda de peso) e uso de sensibilizadores de insulina, como a metformina. À medida que os níveis de insulina plasmática diminuem, o estímulo proliferativo na pele cessa, levando ao clareamento e afinamento das lesões ao longo do tempo.

Quais outras condições estão associadas à acantose nigricans?

Além da obesidade e do diabetes tipo 2, a acantose nigricans pode estar associada a distúrbios endócrinos como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), Cushing e hipotireoidismo. Em casos raros, quando surge de forma súbita e extensa em pacientes não obesos, pode ser uma manifestação paraneoplásica (acantose nigricans maligna), frequentemente associada a adenocarcinomas gástricos.

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