Acantose Nigricans e Resistência Insulínica no DM2

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 65 anos de idade compareceu à consulta com queixa de polidipsia, polifagia, poliúria e perda ponderai de 5 kg nos últimos três meses. Queixa-se também de humor deprimido, anedonia e avolia. Tabagista, possui diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e depressão. Faz uso de amitriptilina 25 mg à noite, enalapril 10 mg, 2 vezes ao dia, hidroclorotiazida 25 mg, 1 vez ao dia e salbutamol inalatório sob demanda. Ao exame físico apresenta mancha hiperpigmentada em região de dobra cervical, aveludada à palpação. Observou-se PA =160 mmHg x 110 mmHg em ambos os membros superiores. Foi realizada medida de HGT, com resultado de 320 mg/dL. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.As lesões de pele apresentadas pela paciente são compatíveis com Acantose nigricans, a qual é um indicativo de resistência insulínica.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Acantose nigricans = marcador cutâneo de resistência insulínica severa.

Resumo-Chave

A acantose nigricans resulta da estimulação de receptores de IGF-1 nos queratinócitos pela insulina em excesso, sinalizando resistência periférica.

Contexto Educacional

A identificação de estigmas de resistência insulínica no exame físico é crucial para o diagnóstico precoce de doenças metabólicas. A paciente do caso apresenta a tríade clássica de DM2 (poliúria, polidipsia, perda de peso) associada a marcadores de síndrome metabólica. O reconhecimento da acantose nigricans permite ao médico direcionar a investigação laboratorial e reforçar a necessidade de intervenções no estilo de vida e farmacoterapia adequada.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da acantose nigricans?

A fisiopatologia envolve altos níveis de insulina circulante decorrentes da resistência insulínica. A insulina em excesso liga-se aos receptores do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) na pele, promovendo a proliferação de queratinócitos e fibroblastos dérmicos, o que resulta no espessamento e hiperpigmentação aveludada da epiderme.

Onde a acantose nigricans é mais comumente encontrada?

As lesões ocorrem tipicamente em áreas de dobras e flexuras, como a região cervical posterior (nuca), axilas, virilhas e superfícies flexoras dos membros. A presença dessas lesões deve sempre alertar o clínico para a investigação de distúrbios metabólicos, especialmente o diabetes mellitus tipo 2 e a obesidade, devido à forte associação com a resistência à insulina.

Acantose nigricans pode indicar malignidade?

Sim, embora a causa mais comum seja metabólica, a acantose nigricans maligna é uma síndrome paraneoplásica associada a adenocarcinomas gastrointestinais. Nestes casos, o início costuma ser súbito, as lesões são mais extensas e podem envolver mucosas ou palmas das mãos (tripe palms), diferenciando-se da forma benigna associada ao diabetes.

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