Acalasia de Esôfago: Diagnóstico e Tratamento com Dilatação

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Leia o caso a seguir.Um paciente de 68 anos, do sexo masculino, refere dificuldade para engolir (disfagia) há 2 anos com piora nos últimos 6 meses. Nega queixa de pirose anterior e alteração de hábito intestinal. Realizou uma endoscopia digestiva alta que não evidenciou alterações. Com base no resultado da endoscopia foi solicitado raios X contrastado de esôfago, hiato, estômago e duodeno (E.E.D.) que mostrou retardo do esvaziamento esofágico, uma dilatação do órgão de 5 cm, sinal do bico de pássaro, presença de ondas peristálticas terciárias e ausência de bolha gástrica.Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta terapêutica para este paciente.

Alternativas

  1. A) Estenose péptica – cirurgia de Nissen
  2. B) Estenose péptica – dilatação endoscópica
  3. C) Estenose péptica – dilatação endoscópica e cirurgia de Nissen
  4. D) Acalasia de esôfago – cirurgia de Heller
  5. E) Acalasia de esôfago – dilatação endoscópica

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + EED com "bico de pássaro" e dilatação esofágica = Acalasia. Conduta inicial: dilatação endoscópica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de disfagia progressiva, associado aos achados do esofagograma (retardo de esvaziamento, dilatação, sinal do bico de pássaro, ausência de bolha gástrica), é altamente sugestivo de acalasia de esôfago. A dilatação endoscópica é uma das principais opções terapêuticas para aliviar a obstrução funcional.

Contexto Educacional

A acalasia de esôfago é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de peristalse no corpo esofágico e relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior (EEI) em resposta à deglutição. É uma condição rara, mas progressiva, que leva à disfagia para sólidos e líquidos, regurgitação e perda de peso. A ausência de pirose anterior no caso apresentado ajuda a diferenciar de estenose péptica, que geralmente tem histórico de refluxo gastroesofágico. O diagnóstico da acalasia é baseado na história clínica, endoscopia digestiva alta (que geralmente é normal ou mostra dilatação, descartando lesões obstrutivas mecânicas), e principalmente no esofagograma contrastado e na manometria esofágica de alta resolução. Os achados clássicos no esofagograma incluem dilatação do esôfago, retardo do esvaziamento, "sinal do bico de pássaro" (estreitamento progressivo do esôfago distal) e ausência de bolha gástrica devido à dificuldade de passagem de ar para o estômago. A manometria confirmaria a aperistalse e o relaxamento incompleto do EEI. O tratamento da acalasia visa aliviar a obstrução funcional do EEI. As opções terapêuticas incluem métodos endoscópicos como a dilatação pneumática com balão (que é a conduta mais adequada entre as opções dadas e uma das primeiras linhas de tratamento) e a injeção de toxina botulínica. A miotomia de Heller (cirúrgica, laparoscópica) e a miotomia endoscópica peroral (POEM) são opções cirúrgicas mais definitivas. A escolha depende da gravidade, idade do paciente e experiência do centro.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos da acalasia no esofagograma (EED)?

Os achados incluem retardo do esvaziamento esofágico, dilatação do esôfago, afilamento distal com "sinal do bico de pássaro" e ausência de bolha gástrica.

Qual a fisiopatologia da acalasia de esôfago?

A acalasia é caracterizada pela perda de neurônios inibitórios no plexo mioentérico do esôfago distal, resultando em aperistalse do corpo esofágico e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI).

Quais são as principais opções terapêuticas para acalasia?

As principais opções incluem dilatação endoscópica com balão, injeção de toxina botulínica no EEI, miotomia de Heller (cirúrgica, laparoscópica) e POEM (Miotomia Endoscópica Peroral).

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