Acalásia Esofágica: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

Considerando a acalásia como patologia rara mundialmente, entretanto tida como a doença motora mais comum do esôfago, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) no Brasil a causa mais comum é infecciosa e relacionada à doença de Chagas, o diagnóstico é suspeitado pelas principais queixas que são a disfagia e regurgitação, definidoras da doença, podendo a mesma ser confirmada por endoscopia digestiva alta e radiografia contrastada de esôfago.
  2. B) a causa auto-imune para a acalásia tem representado mundialmente a etiologia mais provável e a endoscopia digestiva alta é exame imprescindível no diagnóstico para descartar tumores da junção esofagogástrica.
  3. C) a esofagomanometria tem alta precisão no diagnóstico de acalásia mesmo nos estágios iniciais e é caracterizada pela falha no relaxamento do esfincter esofágico superior durante a deglutição e aperistalse.
  4. D) o tratamento cirúrgico atualmente consiste no padrão-ouro para tratamento da acalásia, independente do estágio proposto pela classificação de Chicago, não utilizada no Brasil, tendo em vista a principal etiologia ser chagásica.

Pérola Clínica

Acalásia chagásica Brasil: miotomia de Heller/POEM = padrão-ouro, independente da Classificação de Chicago.

Resumo-Chave

No Brasil, a acalásia é frequentemente de etiologia chagásica. O tratamento cirúrgico, como a miotomia de Heller ou POEM (Miotomia Endoscópica Peroral), é considerado o padrão-ouro para aliviar a disfagia e regurgitação, independentemente da classificação manométrica de Chicago, que, embora útil, não anula a indicação cirúrgica em casos sintomáticos.

Contexto Educacional

A acalásia é a doença motora primária mais comum do esôfago, caracterizada pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristalse no corpo esofágico. Mundialmente, a etiologia é frequentemente idiopática ou autoimune. No Brasil, entretanto, a causa mais prevalente é a doença de Chagas, onde o Trypanosoma cruzi destrói os neurônios do plexo mioentérico, levando à denervação e disfunção esofágica. O diagnóstico da acalásia é suspeitado por sintomas como disfagia (para sólidos e líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, perda de peso e dor torácica. A confirmação diagnóstica é feita pela esofagomanometria de alta resolução, que demonstra a aperistalse e a falha de relaxamento do EEI. A radiografia contrastada de esôfago (esofagograma) pode mostrar dilatação esofágica e o clássico 'sinal do bico de pássaro' na junção esofagogástrica. A endoscopia digestiva alta é crucial para descartar causas secundárias de acalásia, como tumores da junção esofagogástrica. O tratamento da acalásia visa aliviar a obstrução do EEI e melhorar a passagem do alimento. As opções incluem dilatação pneumática, injeção de toxina botulínica e, mais efetivamente, o tratamento cirúrgico. A miotomia de Heller, realizada por via laparoscópica, é o padrão-ouro e consiste no corte das fibras musculares do EEI. Mais recentemente, a Miotomia Endoscópica Peroral (POEM) tem ganhado destaque como uma alternativa minimamente invasiva. A escolha do tratamento depende da gravidade, tipo de acalásia (conforme Classificação de Chicago) e experiência do centro, mas a cirurgia oferece os melhores resultados a longo prazo, especialmente em casos chagásicos.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de acalásia no Brasil?

No Brasil, a principal causa de acalásia é a doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, que leva à destruição dos neurônios do plexo mioentérico do esôfago, resultando em falha de relaxamento do EEI e aperistalse.

Quais são os métodos diagnósticos para acalásia?

O diagnóstico de acalásia é suspeitado pela disfagia e regurgitação. É confirmado por esofagomanometria de alta resolução (que mostra aperistalse e falha de relaxamento do EEI) e radiografia contrastada de esôfago (que revela dilatação esofágica e 'bico de pássaro'). A endoscopia é essencial para descartar lesões obstrutivas.

Quais são as opções de tratamento cirúrgico para acalásia?

As principais opções de tratamento cirúrgico incluem a miotomia de Heller (laparoscópica ou aberta), que consiste no corte das fibras musculares do EEI, e a Miotomia Endoscópica Peroral (POEM), um procedimento minimamente invasivo que realiza a miotomia por via endoscópica.

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