AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Acalasia é o distúrbio de motilidade esofágico mais frequente, incidindo em 6/100 mil pessoas por ano, com predileção por mulheres jovens. Presume-se que sua patogênese seja idiopática ou por degeneração neurogênica infecciosa. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. Acalasia é considerada como uma condição pré-maligna do esôfago e o carcinoma de células escamosas (CEC) é o tipo mais comumente identificado, sendo considerado como resultante de alimento fermentado não digerido mantido por muito tempo no corpo do esôfago, causando irritação da mucosa... PORTANTO II. O estabelecimento de uma via alimentar alternativa, como jejunostomia ou gastrostomia endoscópica percutânea, proporciona prevenção a está complicação, o CEC, e otimiza o aporte proteico calórico ao paciente.
Acalasia → Estase alimentar → Inflamação crônica → ↑ Risco de CEC (Carcinoma de Células Escamosas).
A acalasia é uma condição pré-maligna devido à irritação crônica da mucosa pela estase e fermentação alimentar. O tratamento dos sintomas não elimina o risco aumentado de neoplasia.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de peristaltismo e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). Além dos sintomas clássicos de disfagia, regurgitação e perda de peso, a condição é reconhecida como um estado pré-canceroso. A incidência de CEC em pacientes com acalasia é estimulada pela retenção crônica de resíduos alimentares, que promovem um ambiente de inflamação e hiperplasia epitelial. É fundamental compreender que intervenções que visam apenas o aporte nutricional, como gastrostomias ou jejunostomias, não tratam a patologia esofágica subjacente nem removem a mucosa em risco. O diagnóstico precoce do CEC em pacientes com acalasia é desafiador, pois os sintomas neoplásicos (como piora da disfagia) podem ser confundidos com a progressão da própria acalasia, reforçando a necessidade de vigilância em centros especializados.
O aumento do risco de Carcinoma de Células Escamosas (CEC) na acalasia deve-se à estase crônica de alimentos e saliva no lúmen esofágico. Esse material sofre fermentação bacteriana, levando à produção de compostos irritantes e inflamação crônica da mucosa (esofagite de estase). A exposição prolongada a esses agentes carcinogênicos e a regeneração epitelial contínua favorecem mutações genéticas e a progressão para displasia e carcinoma.
Embora tratamentos como a miotomia de Heller ou a dilatação pneumática melhorem o esvaziamento esofágico e reduzam a estase, eles não eliminam completamente o risco de câncer. Estudos mostram que, mesmo após o tratamento bem-sucedido dos sintomas, o risco de CEC permanece significativamente maior do que na população geral. Portanto, o acompanhamento endoscópico periódico é frequentemente discutido para esses pacientes, especialmente em casos de megaesôfago avançado.
O tipo histológico predominante é o Carcinoma de Células Escamosas (CEC). Diferente do esôfago de Barrett, que predispõe ao adenocarcinoma na transição esofagogástrica devido ao refluxo ácido, a acalasia causa insulto crônico em todo o corpo esofágico dilatado, resultando na transformação maligna do epitélio escamoso estratificado original.
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