Acalásia Esofágica: Diagnóstico e Sinais Chave

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 52 anos, queixa-se de disfagia progressiva, de início há aproximadamente 3 anos, inicialmente para sólidos, atualmente apresentando engasgos até para alimentos pastosos, associada à perda ponderal importante e regurgitação. Exame físico normal. Realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou presença de estase esofágica em moderada quantidade, esôfago dilatado com mucosa edemaciada e apagamento da vasculatura. Cárdia hipertônica, de difícil transposição. Para complementar a investigação, realizou o exame contrastado abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Doença do refluxo gastroesofágico.
  2. B) Carcinoma espinocelular de esôfago.
  3. C) Adenocarcinoma de esôfago.
  4. D) Acalásia

Pérola Clínica

Disfagia progressiva para sólidos e líquidos + regurgitação + estase esofágica + cárdia hipertônica → Acalásia.

Resumo-Chave

A acalásia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. A disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação e perda de peso são sintomas clássicos, e a endoscopia e esofagograma com bário (sinal do 'bico de pássaro') são essenciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A acalásia é um distúrbio motor primário do esôfago, de etiologia desconhecida, caracterizado pela perda de neurônios inibitórios no plexo mioentérico de Auerbach. Isso resulta em um esfíncter esofágico inferior (EEI) que não relaxa adequadamente durante a deglutição e na ausência de peristalse no corpo esofágico. A epidemiologia mostra uma incidência de cerca de 1 caso por 100.000 habitantes por ano, afetando igualmente homens e mulheres, geralmente entre 30 e 60 anos. A importância clínica reside na sua natureza progressiva e no impacto significativo na qualidade de vida do paciente, além do risco aumentado de carcinoma espinocelular de esôfago a longo prazo. A fisiopatologia envolve a degeneração neuronal que impede a liberação de óxido nítrico e VIP (peptídeo intestinal vasoativo), neurotransmissores responsáveis pelo relaxamento do EEI. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica de disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos e perda de peso. A endoscopia digestiva alta pode revelar estase alimentar e dilatação esofágica, com dificuldade na transposição da cárdia. O esofagograma com bário tipicamente mostra o 'sinal do bico de pássaro' (estreitamento distal do esôfago) e dilatação proximal. A manometria esofágica é o exame padrão-ouro, confirmando a aperistalse e o relaxamento incompleto do EEI. O tratamento da acalásia é paliativo, visando aliviar os sintomas e prevenir complicações, uma vez que a doença não tem cura. As opções incluem dilatação pneumática endoscópica, injeção de toxina botulínica no EEI, miotomia de Heller (cirúrgica, laparoscópica) e, mais recentemente, miotomia endoscópica peroral (POEM). A escolha do tratamento depende da idade do paciente, comorbidades e experiência do centro. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento a longo prazo é necessário devido ao risco de recorrência dos sintomas e de malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da acalásia esofágica?

Os sintomas típicos da acalásia incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica, perda de peso e, em alguns casos, tosse noturna ou aspiração.

Como a manometria esofágica ajuda no diagnóstico da acalásia?

A manometria esofágica é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da acalásia, pois avalia a motilidade esofágica. Ela revela a ausência de peristalse no corpo esofágico e o relaxamento incompleto ou ausente do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição, com pressão basal elevada do EEI.

Qual o tratamento para acalásia esofágica?

O tratamento da acalásia é paliativo e visa aliviar os sintomas. As opções incluem dilatação pneumática endoscópica, injeção de toxina botulínica no EEI, miotomia de Heller (cirúrgica) e miotomia endoscópica peroral (POEM).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo