Acalasia Esofágica: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021

Enunciado

Paciente TSGV, sexo masculino, 33 anos, procura ambulatório de cirurgia digestiva, com queixa de disfagia há cerca de 4 anos, com piora no último ano acompanhada de perda ponderal importante (cerca de 10kg). Foi solicitado exame contrastado de esôfago, que  evidenciou megaesôfago grau 3 (mostrado abaixo). Sobre a doença e o tratamento, é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) Acalásia é o distúrbio esofágico primário de motilidade mais comum, podendo ser idiopática ou chagásica.
  2. B) Trata-se de uma doença motora (neurogênica) em que há o relaxamento parcial ou ausente do EEI (esfíncter esofágico inferior).
  3. C) Dilatação endoscópica é indicada para megaesôfago graus I e II, para melhorar quadro nutricional de pacientes sem condição cirúrgica, para pacientes operados, porém com sintomas persistentes e para gestantes. 
  4. D) Cirurgia de Heller-Pinotti indicada no tratamento cirúrgico para pacientes com megaesôfago grau III e IV; consiste na cardiomiotomia com confecção de válvula antirrefluxo parcial.

Pérola Clínica

Acalasia: distúrbio motor esofágico com relaxamento incompleto do EEI. Cirurgia de Heller-Pinotti é o padrão-ouro cirúrgico.

Resumo-Chave

A acalasia é um distúrbio primário da motilidade esofágica caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. A cirurgia de Heller-Pinotti, que combina cardiomiotomia com fundoplicatura parcial, é o tratamento cirúrgico padrão, não sendo restrita apenas a graus avançados de megaesôfago.

Contexto Educacional

A acalasia esofágica é o distúrbio primário de motilidade esofágica mais comum, caracterizado pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristalse no corpo do esôfago. No Brasil, a forma chagásica, causada pelo Trypanosoma cruzi, é endêmica, mas a forma idiopática também é frequente. A doença leva a disfagia progressiva para líquidos e sólidos, regurgitação e perda ponderal, com risco aumentado de câncer de esôfago. O diagnóstico é estabelecido pela manometria esofágica de alta resolução, que demonstra a ausência de peristalse e o relaxamento incompleto do EEI. O esofagograma contrastado pode classificar o megaesôfago em graus (I a IV) e revelar o clássico "bico de pássaro". A endoscopia digestiva alta é essencial para excluir outras causas de disfagia, como tumores, que podem mimetizar a acalasia (pseudoacalasia). O tratamento visa aliviar a obstrução do EEI e melhorar a drenagem esofágica. As opções incluem dilatação endoscópica por balão, injeção de toxina botulínica e tratamento cirúrgico. A cirurgia de Heller-Pinotti, que consiste em uma cardiomiotomia (miotomia do EEI) associada a uma fundoplicatura parcial (geralmente Dor ou Toupet) para prevenir o refluxo gastroesofágico, é considerada o padrão-ouro cirúrgico. Ela é indicada para pacientes com acalasia que necessitam de intervenção cirúrgica, não sendo restrita apenas a graus avançados de megaesôfago, mas sim a todos os graus que falham ao tratamento clínico ou endoscópico ou que optam pela cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados diagnósticos da acalasia esofágica?

O diagnóstico da acalasia é baseado na manometria esofágica, que revela aperistalse do corpo esofágico e relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior. O esofagograma contrastado pode mostrar o sinal do "bico de pássaro" e dilatação esofágica.

Qual a diferença entre acalasia idiopática e chagásica?

A acalasia idiopática tem causa desconhecida, enquanto a acalasia chagásica é uma manifestação tardia da doença de Chagas, causada pela destruição dos neurônios do plexo mioentérico pelo Trypanosoma cruzi, resultando em disfunção motora esofágica.

Por que a fundoplicatura é realizada junto com a cardiomiotomia na cirurgia de Heller?

A cardiomiotomia (corte das fibras musculares do EEI) alivia a obstrução, mas pode aumentar o risco de refluxo gastroesofágico. A fundoplicatura parcial (como Dor ou Toupet) é adicionada para reduzir esse risco, criando uma barreira antirrefluxo sem comprometer excessivamente a drenagem esofágica.

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