UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 62 anos queixa-se de disfagia progressiva nos últimos 4 anos associada à perda ponderal de 7 kg. AP: HAS e cirurgia colorretal prévia por obstrução intestinal, porém não se recorda o motivo. Refere aceitar dieta pastosa atualmente. EDA: candidíase esofágica, sem evidência de lesões sugestivas de neoplasia.A hipótese diagnóstica e o próximo exame para confirmá-lo são, correta e respectivamente,
Disfagia progressiva + perda ponderal + EDA normal (ou candidíase secundária) → Acalasia, confirmar com manometria de alta resolução.
A disfagia progressiva associada à perda ponderal, especialmente em idosos, levanta a suspeita de distúrbios de motilidade esofágica ou causas obstrutivas. A EDA normal (ou com achados secundários como candidíase) após excluir neoplasia, direciona para a acalasia, que é confirmada pela manometria esofágica de alta resolução.
A acalasia é um distúrbio primário da motilidade esofágica caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. Clinicamente, manifesta-se por disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda ponderal, como observado no caso da paciente. A duração dos sintomas por 4 anos e a perda ponderal são consistentes com uma condição crônica. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame inicial para excluir causas obstrutivas mecânicas, como neoplasias. No caso, a EDA revelou candidíase esofágica, que pode ser um achado secundário à estase alimentar no esôfago dilatado pela acalasia, e não a causa primária da disfagia. A ausência de lesões neoplásicas na EDA é um dado importante que direciona para distúrbios funcionais. A manometria esofágica de alta resolução é o padrão ouro para o diagnóstico da acalasia, pois permite a avaliação detalhada da pressão e coordenação da motilidade esofágica, confirmando a falha no relaxamento do EEI e a ausência de peristalse. Outros exames como o esofagograma baritado (raio-x com bário) podem mostrar o "bico de pássaro" ou "cauda de rato", mas a manometria é essencial para a confirmação diagnóstica e classificação dos subtipos de acalasia.
Os sintomas incluem disfagia progressiva para líquidos e sólidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica, perda ponderal e, por vezes, tosse noturna ou aspiração.
A manometria de alta resolução permite avaliar detalhadamente a pressão e a motilidade do esôfago, identificando a ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior e a aperistalse do corpo esofágico, características da acalasia.
Sim, a candidíase esofágica pode ser um achado secundário na acalasia devido à estase alimentar no esôfago dilatado, que cria um ambiente propício para o crescimento fúngico.
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