Acalásia Esofágica: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao distúrbio motor do esôfago Acalásia, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A acalásia é uma patologia caracterizada pela perda de células ganglionares dos plexos mioentéricos. A doença cursa com acentuada dismotilidade esofagiana e apresenta como característica principal graus variados de hipotonia do EEI (Esfíncter Esofagiano Inferior) (geralmente pressões >35mmHg).
  2. B) A acalásia é fator de risco apenas para carcinoma escamoso esofágico. Não existe relação entre acalasia e desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago.
  3. C) Em pacientes com megaesôfago grau IV (dilatação esofágica na esofagografia >10cm) o tratamento ideal e com melhores resultados é clínico com uso de nitratos e bloqueadores de canal de cálcio associado à toxina botulínica injetada no EEI (Esfíncter Esofagiano Inferior) via endoscópica.
  4. D) A cardiomiotomia à Heller modificada está indicada nos casos refratários ou redicivantes. Normalmente é indicada em pacientes com megaesôfago grau III e consiste na secção das camadas longitudinal e circular da musculatura lisa do esôfago distal (TEG) associada à válvula antirrefluxo.
  5. E) A dilatação pneumática por balão endoscópica do EEI (Esfíncter Esofagiano Inferior) é indicada normalmente em pacientes com megaesôfago grau IV. A dilatação apresenta resultados insatisfatórios com controle sintomático apenas em torno de 10 a 15% e com taxas de recidiva dos sintomas aproximadamente 50%.

Pérola Clínica

Acalásia Grau III → Cardiomiotomia à Heller + Válvula antirrefluxo é o tratamento de escolha.

Resumo-Chave

A acalásia é causada pela destruição dos plexos mioentéricos, resultando em hipertonia do EEI e aperistalse. O tratamento cirúrgico (Heller) visa reduzir a pressão do esfíncter, sendo indicado em casos avançados ou refratários.

Contexto Educacional

A acalásia é uma patologia neuromuscular idiopática ou secundária (como na Doença de Chagas). O diagnóstico padrão-ouro é a manometria esofágica, que demonstra a ausência de relaxamento do EEI e aperistalse. A classificação radiológica (Mascarenhas) divide o megaesôfago em graus I a IV baseada no diâmetro e morfologia. O tratamento é paliativo, visando reduzir a resistência à passagem do bolo alimentar; as opções variam de dilatação pneumática e POEM (Peroral Endoscopic Myotomy) até a cirurgia de Heller e, em casos terminais (Grau IV/Sigmoide), a esofagectomia.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a fisiopatologia da acalásia?

A acalásia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela perda seletiva de neurônios inibitórios (que liberam óxido nítrico e VIP) no plexo mioentérico de Auerbach. Isso resulta na falha do relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição e na ausência de peristalse no corpo esofágico. Clinicamente, manifesta-se por disfagia progressiva, regurgitação e perda de peso.

Quando está indicada a Cardiomiotomia à Heller?

A cardiomiotomia à Heller (geralmente associada a uma válvula antirrefluxo para prevenir esofagite pós-operatória) é indicada como tratamento definitivo para pacientes com acalásia, especialmente naqueles com megaesôfago grau II e III, ou em casos onde a dilatação pneumática falhou. Consiste na secção das fibras musculares da transição esofagogástrica.

Qual a relação entre acalásia e câncer de esôfago?

Pacientes com acalásia de longa data apresentam um risco aumentado para o desenvolvimento de carcinoma espinocelular (escamoso) do esôfago, devido à estase alimentar crônica e inflamação da mucosa. Embora menos comum, o adenocarcinoma também pode ocorrer, especialmente se houver desenvolvimento de esôfago de Barrett secundário ao refluxo pós-procedimentos terapêuticos.

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