CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020
Paciente, 34 anos, sexo masculino, apresentando disfagia de condução, regurgitação e emagrecimento. A endoscopia digestiva alta mostrou esofagite, a esofagografia baritada mostrou estreitamento em bico de pássaro e a esofagomanometria evidenciou falha do relaxamento do EEI e aumento da pressão intraluminal do corpo esofágico. Foi diagnosticado acalásia. Qual exame laboratorial pode auxiliar no diagnóstico da doença de Chagas?
Acalásia, especialmente em áreas endêmicas, requer investigação para Doença de Chagas; ELISA é teste sorológico chave.
A acalásia é a manifestação mais comum da esofagopatia chagásica no Brasil. A Doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, e o diagnóstico laboratorial mais utilizado para a fase crônica é a sorologia, como o ELISA, que detecta anticorpos específicos.
A acalásia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela falha do relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristalse no corpo esofágico. No Brasil, a principal causa secundária de acalásia é a Doença de Chagas, uma infecção parasitária causada pelo Trypanosoma cruzi, transmitida principalmente pelo vetor triatomíneo. A prevalência da acalásia chagásica é significativa em regiões endêmicas, tornando a investigação etiológica crucial. A fisiopatologia da acalásia chagásica envolve a destruição dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, resultando em denervação do esôfago. Os sintomas incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda de peso. O diagnóstico da acalásia é feito por esofagografia baritada (sinal do 'bico de pássaro') e esofagomanometria (falha do relaxamento do EEI e aperistalse). Para a Doença de Chagas, o diagnóstico laboratorial na fase crônica é sorológico, sendo o ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) um dos métodos mais sensíveis e específicos para detectar anticorpos IgG e IgM anti-T. cruzi. O tratamento da acalásia visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, podendo incluir dilatação endoscópica, miotomia de Heller ou POEM (Miotomia Endoscópica Peroral). O tratamento da Doença de Chagas com benznidazol ou nifurtimox é indicado na fase aguda e em casos selecionados da fase crônica, especialmente em pacientes jovens. A identificação da etiologia chagásica é importante para o acompanhamento e manejo de outras possíveis manifestações da doença, como a cardiomiopatia chagásica.
Na esofagografia, o achado clássico é o 'bico de pássaro' (estreitamento distal). Na manometria, há falha do relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico.
A Doença de Chagas causa destruição dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach no esôfago, levando à perda da inervação inibitória do EEI e à aperistalse, resultando nos sintomas da acalásia.
Além do ELISA, outros testes sorológicos incluem a imunofluorescência indireta (IFI) e a hemaglutinação indireta (HAI). Em casos de discordância, dois testes positivos são necessários para confirmar o diagnóstico.
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