HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025
Um homem de 43 anos de idade apresenta-se ao gastroenterologista com queixas de disfagia progressiva, tanto para sólidos, quanto para líquidos, nos últimos seis meses. Ele também relata perda de peso de 5kg e episódios frequentes de regurgitação não ácida. O paciente não apresenta história de refluxo ácido ou dor torácica significativa. Ao exame fisico, não há achados relevantes. A esofagografia com bário mostra um esôfago dilatado, com estreitamento no esfincter esofágico inferior, resultando no clássico "bico de pássaro". A manometria esofágica revela aperistalse e falha no relaxamento do esfincter esofágico inferior. Para esse paciente com acalasia esofágica, a proposta de tratamento MAIS adequada é:
Acalasia: disfagia progressiva + 'bico de pássaro' na esofagografia + aperistalse na manometria. Tratamento = dilatação pneumática ou miotomia.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado por aperistalse e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). A dilatação pneumática endoscópica é um tratamento eficaz que visa romper as fibras musculares do EEI, aliviando a obstrução e melhorando a disfagia.
A acalasia esofágica é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela perda das células ganglionares do plexo mioentérico de Auerbach, resultando em aperistalse do corpo esofágico e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). Sua etiologia é multifatorial, mas frequentemente idiopática, embora a doença de Chagas seja uma causa importante em regiões endêmicas. A prevalência é de aproximadamente 1 em 100.000 pessoas por ano, afetando principalmente adultos jovens e de meia-idade. É uma condição importante a ser reconhecida devido ao impacto significativo na qualidade de vida e risco de complicações. O quadro clínico típico da acalasia inclui disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, perda de peso e, ocasionalmente, dor torácica. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados clínicos, esofagografia com bário (que revela o clássico 'bico de pássaro' e dilatação esofágica) e, principalmente, pela manometria esofágica de alta resolução, que confirma a aperistalse e a ausência de relaxamento do EEI. É crucial diferenciar a acalasia primária da pseudoacalasia, que pode ser causada por tumores na junção esofagogástrica, exigindo endoscopia digestiva alta com biópsias para exclusão. O tratamento da acalasia visa aliviar a obstrução do EEI e melhorar a passagem do alimento. As opções terapêuticas incluem métodos endoscópicos, como a dilatação pneumática (considerada uma das abordagens mais eficazes e com boa taxa de sucesso a longo prazo) e a injeção de toxina botulínica (geralmente para pacientes de alto risco cirúrgico ou como ponte para outros tratamentos). A miotomia cirúrgica de Heller, realizada por via laparoscópica, é outra opção definitiva, frequentemente combinada com fundoplicatura parcial para prevenir refluxo. A escolha do tratamento depende da idade do paciente, comorbidades, preferência e experiência do centro, sendo a dilatação pneumática uma excelente primeira linha para muitos pacientes.
Na esofagografia com bário, o achado clássico é o 'bico de pássaro', que representa o estreitamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) com dilatação do esôfago proximal. Na manometria esofágica, os achados característicos são a aperistalse no corpo esofágico e a falha no relaxamento do EEI durante a deglutição.
A dilatação pneumática endoscópica é considerada um dos tratamentos mais eficazes e menos invasivos para a acalasia, pois atua diretamente no problema fisiopatológico: a falha de relaxamento do EEI. Ela rompe seletivamente as fibras musculares do EEI, aliviando a obstrução e permitindo a passagem do alimento para o estômago, com boa taxa de sucesso e menor morbidade que a cirurgia em casos selecionados.
Os principais diagnósticos diferenciais da acalasia incluem pseudoacalasia (causada por malignidade na junção esofagogástrica), espasmo esofágico difuso e esôfago em quebra-nozes. A distinção é feita principalmente pela manometria esofágica e, em casos de suspeita de pseudoacalasia, por endoscopia com biópsias e exames de imagem adicionais.
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