Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Um paciente de 55 anos de idade, proveniente da Bahia, refere disfagia lentamente progressiva de sólido para líquido, dor retroesternal, queimação e regurgitação, associadas à perda ponderal. Tem sorologia positiva para Chagas.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta os exames que devem ser solicitados para a confirmação diagnóstica.
Disfagia progressiva + Chagas + esofagograma (bico de pássaro) + manometria (aperistalse, EEI não relaxa) = Acalasia.
Em paciente com sorologia positiva para Chagas e disfagia progressiva, a suspeita é de megaesôfago chagásico (acalasia). A confirmação diagnóstica requer a combinação de endoscopia para exclusão de outras causas, esofagograma para avaliação morfológica e manometria esofágica para análise funcional.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico. No Brasil, uma causa importante de acalasia secundária é a doença de Chagas, onde o Trypanosoma cruzi destrói os neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, levando à denervação e disfunção esofágica. É uma condição progressiva que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O quadro clínico típico da acalasia chagásica inclui disfagia lentamente progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, dor retroesternal, pirose e perda ponderal. A suspeita diagnóstica é reforçada pela epidemiologia (áreas endêmicas de Chagas) e sorologia positiva. A investigação diagnóstica envolve uma combinação de exames para avaliar a morfologia e a função esofágica. A endoscopia digestiva alta é o primeiro exame a ser realizado para excluir lesões obstrutivas mecânicas. O esofagograma baritado revela a dilatação esofágica e o clássico "bico de pássaro". A manometria esofágica é o exame confirmatório, demonstrando a ausência de relaxamento do EEI e a aperistalse. O tratamento visa aliviar os sintomas e pode incluir dilatação endoscópica, miotomia cirúrgica (Heller) ou injeção de toxina botulínica, dependendo da gravidade e das condições do paciente.
O esofagograma em pacientes com acalasia tipicamente revela dilatação do corpo esofágico, ausência de peristalse primária e um afilamento distal característico em "bico de pássaro" ou "cauda de rato" na junção esofagogástrica.
A manometria esofágica é o exame padrão-ouro para o diagnóstico funcional da acalasia, demonstrando a ausência de relaxamento completo do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição e a aperistalse do corpo esofágico.
A endoscopia digestiva alta é crucial para excluir outras causas de disfagia, como estenoses pépticas, tumores esofágicos ou esofagite eosinofílica, que podem mimetizar os sintomas da acalasia, além de avaliar a mucosa esofágica.
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