Abuso Sexual Infantil: Conduta Médica e Notificação

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, com 6 anos, é trazido à consulta por sua mãe, que afirma que o “pai da criança estaria mexendo na região genital do filho”. Relata que está separada há 2 anos e que, há 6 meses percebeu alterações de comportamento do filho, como dificuldades para dormir, irritabilidade, enurese e excesso de manipulação do pênis. Recentemente, ao repreender o filho, ele disse que “meu pai me ensinou a fazer isso”. Qual a conduta mais correta?

Alternativas

  1. A) Redigir um atestado para mãe sugerindo a hipótese de maus tratos para ela enviar ao juiz para revisão guarda compartilhada.
  2. B) Encaminhar para uma avaliação psicológica para detecção de falso relato e/ou alienação parental.
  3. C) Encaminhamento para delegacia mais próxima, com solicitação de exame de corpo de delito.
  4. D) Comunicação ao Conselho Tutelar mais próximo de onde a criança mora.
  5. E) Marcar retorno próximo, para ampliar anamnese e identificar pormenores da história que ainda não são conhecidos.

Pérola Clínica

Suspeita de abuso sexual infantil (fala criança + alterações comportamento) → comunicação imediata ao Conselho Tutelar.

Resumo-Chave

Diante de uma forte suspeita de abuso sexual infantil, especialmente com relato direto da criança e alterações comportamentais, a conduta prioritária e legalmente obrigatória do profissional de saúde é a comunicação imediata ao Conselho Tutelar, que é o órgão responsável pela proteção e garantia dos direitos da criança.

Contexto Educacional

A suspeita de abuso sexual infantil é uma das situações mais delicadas e graves que um profissional de saúde pode enfrentar. É fundamental que o médico esteja preparado para identificar os sinais de alerta e agir de forma ética e legalmente correta, priorizando sempre a proteção da criança. A história clínica, as alterações comportamentais e, principalmente, o relato da própria criança são elementos cruciais para levantar a suspeita. As alterações de comportamento em crianças vítimas de abuso podem ser variadas e inespecíficas, incluindo dificuldades para dormir, irritabilidade, ansiedade, regressão no desenvolvimento (como enurese secundária) e comportamentos sexuais inadequados para a idade. Quando a criança verbaliza a situação, mesmo que de forma indireta, a suspeita se torna ainda mais forte e exige ação imediata. A conduta mais correta e obrigatória, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é a comunicação ao Conselho Tutelar. O médico não deve tentar investigar o caso por conta própria, nem emitir pareceres judiciais. Seu papel é notificar o órgão competente, que possui a expertise e os recursos para conduzir a investigação, aplicar as medidas de proteção necessárias e, se for o caso, encaminhar o processo para as autoridades policiais e judiciais. A demora na notificação pode expor a criança a riscos adicionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para suspeita de abuso sexual infantil?

Sinais de alerta incluem alterações comportamentais (irritabilidade, ansiedade, dificuldades de sono), regressão de marcos do desenvolvimento (enurese), manipulação genital excessiva, e relatos diretos ou indiretos da criança sobre toques inadequados.

Qual o papel do médico diante de uma suspeita de abuso sexual infantil?

O papel do médico é acolher a criança e a família, documentar cuidadosamente os achados e, principalmente, realizar a notificação compulsória da suspeita ao Conselho Tutelar, que é o órgão responsável pela proteção da criança.

Por que o Conselho Tutelar é o primeiro órgão a ser acionado em casos de suspeita de abuso?

O Conselho Tutelar é o órgão municipal encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Ele tem a prerrogativa de investigar a situação, aplicar medidas de proteção e encaminhar o caso para as instâncias judiciais e policiais, se necessário.

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