UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Adolescente de 11 anos de idade é levada à consulta médica na Unidade Básica de Saúde de seu bairro com queixa de sangramento vaginal após trauma. Segundo a acompanhante, a paciente caiu no banheiro durante o banho há 2 dias. Durante a consulta, a paciente permanece cabisbaixa, sem responder aos questionamentos médicos. Ao exame físico, ausência de hematomas, presença de laceração em introito vaginal, às seis horas, com sangramento ativo de pequena intensidade. Nessa situação, o médico deve
Suspeita de abuso sexual em criança/adolescente → Notificação compulsória, acionamento Conselho Tutelar e avaliação hospitalar.
Diante de uma história de trauma inconsistente com as lesões (laceração vaginal em queda simples) e comportamento sugestivo de abuso (cabisbaixa, não responsiva) em uma adolescente, a suspeita de abuso sexual é alta. Nesses casos, a prioridade é a proteção da vítima, o que envolve notificação compulsória, acionamento das autoridades competentes e encaminhamento para avaliação especializada em ambiente hospitalar.
A violência sexual contra crianças e adolescentes é um grave problema de saúde pública e de direitos humanos, com profundas repercussões físicas, psicológicas e sociais. Profissionais de saúde têm um papel crucial na identificação, manejo e proteção dessas vítimas. A suspeita de abuso sexual deve ser levantada diante de histórias inconsistentes com as lesões, lesões em locais atípicos para acidentes, ou comportamento da criança que sugere medo, retraimento ou ansiedade. No caso apresentado, a história de "queda no banheiro" para uma laceração em introito vaginal é altamente suspeita de não ser acidental. O comportamento da adolescente (cabisbaixa, não responsiva) reforça a necessidade de investigação. A conduta médica não se limita ao tratamento da lesão física. É imperativo que o médico siga os protocolos de proteção à criança e ao adolescente. Isso inclui a notificação compulsória de maus-tratos às autoridades competentes (Conselho Tutelar), que têm o poder de intervir e garantir a segurança da vítima. Além disso, o encaminhamento para internação hospitalar é fundamental para uma avaliação médico-legal detalhada, coleta de evidências, profilaxia de ISTs e gravidez, e início de suporte psicossocial. A omissão em notificar ou em garantir a proteção da vítima pode ter sérias consequências legais e éticas para o profissional.
Sinais de alerta incluem lesões genitais ou anais inexplicáveis, histórias inconsistentes com as lesões, mudanças comportamentais (isolamento, agressividade), medo de certas pessoas, e queixas somáticas sem causa aparente.
A notificação de maus-tratos é compulsória para profissionais de saúde e visa proteger a criança ou adolescente, acionando a rede de proteção (Conselho Tutelar, Ministério Público) para investigar a situação e garantir a segurança da vítima.
O encaminhamento hospitalar permite uma avaliação médico-legal completa, coleta de evidências, profilaxia de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez, além de suporte psicológico e social, garantindo um atendimento integral à vítima.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo