USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Avó materna refere que criança de 8 anos de idade iniciou, há 3 dias, com disúria, sem febre. Notou que nos últimos meses criança vem apresentando mudanças no comportamento, choro frequente, recusa-se a brincar com os amigos e por várias noites tem acordado com medo e assustada. Há 1 ano pais se separaram. Avó refere que nos últimos 6 meses criança já recebeu orientação para tratamento de infecção urinária por 3 vezes. Ao exame, nota-se hiperemia vulvar, com presença de lesão ulcerada em região de pequenos lábios à direita, aparentemente indolor, sem fissura anal ou outras lesões. Qual alternativa apresenta a melhor conduta?
Criança com lesão genital inexplicada + alterações comportamentais + ITUs recorrentes → Suspeita de abuso sexual infantil.
A presença de lesões genitais inexplicadas, especialmente úlceras indolores, em crianças, associada a mudanças comportamentais e infecções urinárias de repetição, deve levantar forte suspeita de abuso sexual. A conduta inicial é proteger a criança e encaminhar para avaliação multidisciplinar.
O abuso sexual infantil é uma grave questão de saúde pública, com prevalência subestimada e consequências devastadoras para o desenvolvimento da criança. Médicos, especialmente pediatras e generalistas, desempenham um papel crucial na identificação precoce, pois são frequentemente os primeiros a ter contato com a criança. É fundamental estar atento a sinais físicos e comportamentais que, isolados ou em conjunto, podem indicar a ocorrência de abuso. A suspeita de abuso sexual infantil deve ser sempre priorizada, exigindo uma abordagem sensível e rigorosa. A presença de lesões genitais inexplicadas, infecções sexualmente transmissíveis, infecções urinárias de repetição sem causa aparente, ou alterações comportamentais como isolamento, medo e regressão, são fortes indicadores. A separação parental e um ambiente familiar disfuncional podem ser fatores de risco, mas a ausência deles não exclui a possibilidade. A conduta diante da suspeita é sempre multidisciplinar, visando a proteção da criança e a investigação adequada. Isso inclui avaliação médica detalhada, coleta de exames para DSTs e sorologias, suporte psicológico e social, e notificação às autoridades competentes. O tratamento de sintomas isolados sem abordar a causa subjacente é um erro grave que pode perpetuar o ciclo de violência.
Sinais físicos incluem lesões genitais inexplicadas (úlceras, lacerações), infecções urinárias de repetição, infecções sexualmente transmissíveis. Comportamentais: mudanças súbitas, choro frequente, medo, recusa em brincar, regressão.
A conduta inicial é garantir a segurança da criança e encaminhá-la para avaliação multidisciplinar, envolvendo pediatria, psicologia, serviço social e, se necessário, autoridades legais.
Lesões ulceradas indolores na região genital de crianças, sem trauma aparente ou causa infecciosa comum, são altamente sugestivas de trauma sexual, exigindo investigação aprofundada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo