UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Assinale a afirmativa correta sobre situações de suspeita de abuso sexual.
Abuso sexual infantil raramente se associa a sinais evidentes de violência física; a ausência não exclui o diagnóstico.
A violência sexual contra crianças é um problema complexo e, contrariamente ao senso comum, a presença de lesões físicas evidentes é rara. A ausência de sinais de violência física não deve ser utilizada como critério para descartar a suspeita de abuso sexual, que muitas vezes se manifesta por alterações comportamentais ou psicológicas.
O abuso sexual infantil é uma grave violação dos direitos humanos e da integridade da criança, com profundas e duradouras consequências físicas, psicológicas e sociais. É crucial que profissionais de saúde estejam aptos a reconhecer os sinais e sintomas, que podem ser sutis e não se limitar a lesões físicas. A prevalência de violência física associada ao abuso sexual é, na verdade, baixa, o que torna a suspeita clínica baseada em alterações comportamentais e relatos indiretos ainda mais vital. A identificação de um caso suspeito exige uma abordagem sensível e multidisciplinar. O profissional de saúde tem o dever ético e legal de notificar as autoridades competentes (Conselho Tutelar, Polícia Civil) e de registrar detalhadamente todas as informações no prontuário. Este registro deve ser técnico, objetivo e sintético, transcrevendo o relato da vítima e os achados do exame físico, e tem valor legal como prova em processos investigativos e judiciais. A conduta médica não se restringe ao diagnóstico e notificação; inclui também o acolhimento da vítima, a oferta de profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis e gravidez (em casos agudos), e o encaminhamento para acompanhamento psicológico e social. É fundamental que a criança seja vista como vítima e que todas as ações visem à sua proteção e recuperação, evitando revitimização e garantindo que o sistema de saúde atue como uma rede de apoio e segurança.
Os sinais de alerta para abuso sexual infantil podem ser físicos, como lesões genitais ou anais inexplicadas, infecções sexualmente transmissíveis, ou gravidez. No entanto, sinais comportamentais e psicológicos, como mudanças de comportamento, ansiedade, depressão, regressão de desenvolvimento, medo de certas pessoas ou locais, e comportamentos sexualizados inadequados para a idade, são mais comuns e devem levantar suspeita.
O registro médico é de extrema importância e possui valor legal. Ele deve ser detalhado, objetivo e técnico, descrevendo as informações coletadas, os achados do exame físico e as condutas realizadas. Este registro serve como prova e subsídio para as investigações judiciais e para a proteção da criança.
A associação entre abuso sexual e violência física explícita é menos comum do que se imagina, presente em um pequeno número de casos. A ausência de lesões físicas não exclui a possibilidade de abuso sexual, e focar apenas em sinais físicos pode levar a subdiagnóstico.
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