SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022
Criança de 5 anos, sexo feminino, comparece ao serviço de urgência pediátrico com as seguintes queixas: choro constante, irritabilidade, medo em ser tocada, autoagressão. É examinada. Percebe-se corrimento na região vaginal. A criança mora com pai alcoólatra e madrasta omissa. As queixas se estendem por dois meses. Devemos suspeitar de:
Criança com alterações comportamentais, medo ao toque, autoagressão e corrimento vaginal inexplicado, especialmente em ambiente familiar disfuncional → suspeitar abuso sexual.
A suspeita de abuso sexual infantil é crucial em casos de alterações comportamentais (irritabilidade, medo, autoagressão), sinais físicos (corrimento vaginal sem causa aparente) e um contexto familiar de negligência ou disfunção. A conduta correta envolve a investigação multidisciplinar e o encaminhamento para serviços especializados, como ginecologia infanto-juvenil e psicologia.
O abuso sexual infantil é uma grave violação dos direitos humanos e da saúde da criança, com profundas e duradouras consequências físicas e psicológicas. É um problema de saúde pública que exige alta suspeição e intervenção imediata por parte dos profissionais de saúde. A prevalência é subestimada devido à dificuldade de identificação e denúncia, tornando essencial que residentes e médicos estejam aptos a reconhecer os sinais e agir de forma apropriada. Os sinais de abuso sexual podem ser variados e inespecíficos, abrangendo alterações comportamentais como irritabilidade, medo, autoagressão, isolamento social, distúrbios do sono e alimentação, além de sinais físicos como lesões genitais ou anais, infecções sexualmente transmissíveis e corrimento vaginal inexplicado. O contexto familiar, como a presença de pais alcoólatras ou negligentes, pode ser um fator de risco. A criança pode ter dificuldade em relatar o abuso devido a medo, vergonha ou ameaças. Diante da suspeita, a conduta é investigar de forma cuidadosa e empática, sem revitimizar a criança. É imperativo encaminhar para uma equipe multidisciplinar que inclua ginecologia infanto-juvenil para avaliação física e coleta de evidências, e psicologia para suporte emocional e tratamento do trauma. A notificação às autoridades competentes é obrigatória para garantir a proteção da criança e a responsabilização dos agressores. A integralidade do cuidado e a humanização são pilares nesse processo complexo.
Sinais comportamentais incluem mudanças súbitas de humor, irritabilidade, choro constante, medo excessivo, ansiedade, depressão, autoagressão, distúrbios do sono e alimentação, regressão de marcos do desenvolvimento e comportamento sexualizado inadequado para a idade.
O corrimento vaginal em crianças, especialmente se persistente, purulento, sanguinolento ou associado a dor e prurido, sem uma causa infecciosa comum ou corpo estranho, deve levantar forte suspeita de abuso sexual. A penetração ou manipulação pode introduzir patógenos ou causar lesões.
A conduta inicial é garantir a segurança da criança, realizar uma avaliação clínica cuidadosa e documentar os achados. É fundamental notificar as autoridades competentes (Conselho Tutelar, polícia) e encaminhar a criança para uma equipe multidisciplinar especializada, incluindo ginecologia infanto-juvenil, psicologia e assistência social, para investigação e suporte.
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