UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher, 33 anos, G0, comparece ao pronto atendimento referindo ter sofrido abuso sexual há 4 dias. Segundo relato, o incidente aconteceu após uma festa clandestina, durante a pandemia, na zona rural, e houve contato com terra. Nega uso de métodos contraceptivos e refere última menstruação há 10 dias. Vacinação: 3 doses da hepatite B no passado e última dose de tétano há 8 anos. Com base no caso, assinale a opção correta.
Abuso sexual → Notificação compulsória é obrigatória, independentemente do desejo da vítima.
A notificação de abuso sexual é compulsória e deve ser realizada mesmo que a vítima não deseje, visando a proteção e o registro epidemiológico. A profilaxia para HIV é indicada se o ato ocorreu há menos de 72 horas (idealmente até 48h), e a contracepção de emergência também tem um prazo de eficácia limitado, geralmente até 72-120 horas. A vacinação para tétano deve ser atualizada se a última dose foi há mais de 5 anos em caso de ferimento sujo.
O atendimento a vítimas de abuso sexual é uma situação complexa que exige uma abordagem multidisciplinar, empática e baseada em protocolos claros. É uma emergência médica e psicossocial. A notificação compulsória é um pilar fundamental, sendo um dever legal e ético do profissional de saúde, independentemente do desejo da vítima, para fins de vigilância epidemiológica e proteção de direitos. O manejo inclui a avaliação clínica, coleta de evidências forenses (se aplicável e com consentimento), e a oferta de profilaxias. A profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 2-72 horas. A contracepção de emergência é crucial e deve ser oferecida se a exposição ocorreu dentro do período de eficácia (geralmente até 120 horas). A profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como sífilis, gonorreia e clamídia também é indicada. Para hepatite B, se a vítima não for imunizada ou tiver esquema vacinal incompleto, deve-se considerar a imunoglobulina e a vacina. A profilaxia para tétano é importante se houver ferimentos e o esquema vacinal estiver desatualizado ou incompleto, especialmente em contato com terra. O suporte psicossocial é contínuo e essencial.
A PEP para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 2 horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição.
A contracepção de emergência é mais eficaz quanto antes for utilizada, com eficácia significativa até 72 horas (3 dias) e alguma eficácia até 120 horas (5 dias) após o ato sexual desprotegido, dependendo do método.
A profilaxia para tétano deve ser avaliada com base no histórico vacinal da vítima e no tipo de ferimento. Se a última dose foi há mais de 5 anos e há risco de contaminação (ex: contato com terra), a revacinação é indicada.
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