SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
Mulher de 38 anos vai até a Clínica da Família, levando sua única filha de 6 anos que apresenta corrimento amarelado e fétido. Elas residem com o pai da criança, 10 anos mais velho que a mãe. Ele está desempregado e tem bebido muito, não tem paciência com a filha e, inclusive, queria que a mãe tivesse abortado. A menina mostra-se bastante desconfiada durante a consulta. Ao exame físico, apresenta boa condição de saúde, apesar de hematoma ligeiramente retangular em uma das nádegas. Questionada sobre a lesão, a mãe diz que a menina sofreu acidente doméstico há alguns dias. O médico suspeita de violência intrafamiliar, devido às seguintes situações de risco para abuso infantil:
Suspeita de abuso infantil: agressor familiar com abuso de substâncias, gravidez não desejada, desconfiança da criança e lesões atípicas.
A suspeita de abuso infantil é um desafio clínico que exige atenção a múltiplos fatores de risco e sinais. A presença de um agressor em potencial na família com histórico de abuso de álcool/drogas, associada a uma gravidez não desejada e lesões com padrões incomuns, são fortes indicadores que devem levantar a bandeira vermelha.
O abuso infantil e a violência intrafamiliar são problemas de saúde pública graves, com profundas consequências físicas, psicológicas e sociais para as vítimas. Médicos, especialmente aqueles que atuam na atenção primária, têm um papel crucial na identificação precoce e na intervenção. A suspeita deve ser levantada diante de uma constelação de sinais e fatores de risco, e não apenas de uma única evidência. Os fatores de risco para abuso infantil são multifatoriais e podem envolver a criança (idade, deficiência), os pais/cuidadores (histórico de abuso, transtornos mentais, abuso de substâncias, desemprego, estresse, gravidez não desejada) e o ambiente familiar/social (isolamento, pobreza, violência doméstica). No caso apresentado, a presença de um pai desempregado, com abuso de álcool, que não desejava a gravidez, e a desconfiança da criança são fortes indicadores de risco. Os sinais físicos de abuso podem ser variados, incluindo lesões com padrões atípicos (como o hematoma retangular), queimaduras, fraturas e lesões genitais (como o corrimento amarelado e fétido). É essencial que o profissional de saúde esteja atento a essas pistas, investigue a história de forma cuidadosa e, ao suspeitar de abuso, realize a notificação compulsória aos órgãos competentes para garantir a proteção da criança. A capacidade de identificar e agir nesses casos é uma habilidade fundamental para qualquer residente.
Fatores de risco para o agressor incluem histórico de abuso na infância, transtornos psiquiátricos (depressão, psicose), abuso de álcool e drogas, desemprego, estresse financeiro e falta de apoio social. A presença de um parceiro abusivo também é um fator de risco.
Lesões com padrões incomuns (ex: marcas de cinto, queimaduras com formato específico), hematomas em locais atípicos (tronco, orelhas, pescoço, nádegas em crianças não deambulantes), múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização e fraturas em crianças pequenas sem história de trauma significativo são altamente suspeitas.
Corrimento vaginal amarelado e fétido em uma criança pré-púbere, sem outras causas óbvias (como má higiene ou corpo estranho), deve levantar forte suspeita de abuso sexual. A presença de infecções sexualmente transmissíveis também é um sinal de alerta.
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