Abuso Infantil: Sinais de Alerta e Diagnóstico em Pediatria

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023

Enunciado

Eduarda, 8 meses, portadora de Síndrome de Down, é levada à Emergência Pediátrica com rebaixamento agudo do nível de consciência. Os pais informam que o quadro iniciou após a irmã mais velha, de 2 anos, arremessar um brinquedo na cabeça da lactente. O cartão de vacinas de Eduarda está atrasado. No exame físico: Glasgow 9, fontanela anterior abaulada, hemorragias retinianas bilaterais. TC de crânio mostra edema cerebral importante com imagem compatível com hemorragia cerebral frontal. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Eduarda provavelmente tem alguma coagulopatia congênita. Ex: deficiência de Fator V.
  2. B) Eduarda provavelmente rompeu um aneurisma cerebral pré-existente.
  3. C) Os achados clínicos e radiológicos são incompatíveis com a história. Considerar negligência e abuso físico.
  4. D) Por ter Down, Eduarda tem deficiência de cianocobalamina e de Vitamina K e, por esse motivo, houve o sangramento.
  5. E) A causa provável do sangramento foi pico hipertensivo, fenômeno frequente em pacientes com Síndrome de Down.

Pérola Clínica

Hemorragia retiniana bilateral + hemorragia cerebral + fontanela abaulada em lactente com história inconsistente → suspeitar abuso infantil.

Resumo-Chave

A história de trauma leve (brinquedo arremessado) é inconsistente com achados graves como rebaixamento de consciência, fontanela abaulada, hemorragias retinianas bilaterais e hemorragia cerebral extensa. A presença de hemorragias retinianas bilaterais é um sinal altamente sugestivo de Síndrome do Bebê Sacudido (abuso físico).

Contexto Educacional

O abuso infantil é um problema de saúde pública grave, com consequências devastadoras para o desenvolvimento da criança. A Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), uma forma de trauma cranioencefálico não acidental, é particularmente letal e incapacitante. É crucial que profissionais de saúde, especialmente pediatras e residentes, estejam aptos a reconhecer os sinais de alerta, pois o diagnóstico precoce pode salvar vidas e prevenir futuras agressões. A fisiopatologia da SBS envolve forças de aceleração-desaceleração rotacionais que causam lacerações nos vasos sanguíneos cerebrais e lesões axonais difusas. Os achados clássicos incluem hemorragia subdural, hemorragias retinianas bilaterais e edema cerebral, muitas vezes sem evidências externas de trauma. A história relatada pelos cuidadores é frequentemente inconsistente com a gravidade das lesões, ou o mecanismo de trauma é inadequado para a idade da criança. A suspeita deve ser alta em lactentes com rebaixamento agudo da consciência, convulsões, vômitos inexplicáveis ou apneia. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e tratamento das lesões agudas. No entanto, o ponto mais crítico é a identificação do abuso. A notificação às autoridades competentes é obrigatória e essencial para a proteção da criança. A equipe médica deve documentar detalhadamente todas as lesões e a história, buscando uma abordagem multidisciplinar que inclua assistentes sociais e especialistas em proteção à criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que levantam suspeita de abuso infantil em lactentes?

Sinais de alerta incluem lesões que não correspondem à história relatada, múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização, fraturas em crianças não deambuladoras, hemorragias retinianas, hematomas em locais incomuns e rebaixamento do nível de consciência sem causa aparente.

O que é a Síndrome do Bebê Sacudido e quais suas características?

A Síndrome do Bebê Sacudido é uma forma grave de trauma cranioencefálico não acidental causada por sacudidas violentas. Caracteriza-se por hemorragia subdural, hemorragias retinianas bilaterais e edema cerebral, frequentemente sem sinais externos de trauma.

Como diferenciar lesões acidentais de não acidentais em crianças?

A diferenciação envolve uma avaliação cuidadosa da história (consistência, mecanismo do trauma), exame físico (padrão das lesões, localização, estágio de cicatrização) e exames complementares (radiografias para fraturas ocultas, exames de imagem cerebral e ocular). Lesões em locais atípicos ou múltiplas lesões devem levantar suspeita.

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