SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023
Pré-escolar, de 2 anos e 3 meses, chega à emergência com dor em membro inferior direito, não conseguindo ficar de pé há cerca de 3 dias. Mãe nega ter presenciado trauma, porém diz que a criança é cuidada pelos irmãos de 8 e 11 anos enquanto ela trabalha. Ao exame clínico, apresenta abaulamento e dor à palpação de coxa direita. A radiografia evidencia fratura cominutiva de porção proximal do fêmur direito. Diante do caso, após o tratamento da fratura, a conduta correta é
Fratura em pré-escolar sem trauma claro → suspeita de abuso infantil → radiografia corpo inteiro + notificação Conselho Tutelar.
Em casos de fraturas em crianças pequenas, especialmente com mecanismos de trauma inconsistentes com a lesão ou ausência de história de trauma, a suspeita de abuso infantil é mandatória. A conduta envolve avaliação clínica completa, exames complementares para outras lesões e acionamento dos órgãos de proteção à criança.
A suspeita de abuso infantil é um desafio diagnóstico e ético para o médico, especialmente em emergências pediátricas. É fundamental reconhecer que a ausência de história de trauma ou uma história inconsistente com a lesão apresentada, particularmente em crianças pré-escolares, deve levantar um alto índice de suspeita. Fraturas cominutivas, como a do caso, são frequentemente associadas a traumas de alta energia ou torção, que raramente ocorrem em acidentes domésticos comuns em crianças pequenas. O diagnóstico de abuso infantil exige uma abordagem multidisciplinar. Além da avaliação clínica detalhada e da radiografia da lesão específica, a radiografia de corpo inteiro é essencial para identificar outras fraturas ou lesões em diferentes estágios de cicatrização, que podem corroborar a hipótese de maus-tratos. A comunicação com o serviço social é vital para avaliar o contexto familiar e socioeconômico, mas não substitui a notificação formal. A conduta correta, após o tratamento da fratura, inclui a notificação compulsória ao Conselho Tutelar, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo é garantir a proteção da criança e a investigação do caso pelas autoridades competentes. A omissão na notificação pode acarretar responsabilidades legais para o profissional de saúde.
Fraturas em crianças não deambuladoras, fraturas cominutivas ou em espiral, fraturas de costelas, metáfise ou epífise, e múltiplos estágios de consolidação são altamente sugestivas de abuso.
A radiografia de corpo inteiro é crucial para identificar lesões ocultas ou antigas, que podem indicar um padrão de violência recorrente e auxiliar na documentação do caso para as autoridades.
O médico tem o dever ético e legal de notificar casos suspeitos de abuso infantil às autoridades competentes (Conselho Tutelar, Polícia), garantindo a proteção da criança e a investigação adequada.
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