HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Um menino de 4 anos com diagnóstico de TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) é levado ao pronto-socorro pela avó materna devido a múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização visíveis em seu corpo. A avó relata que as lesões foram observadas quando ela ajudou o menino a trocar de roupa. Ela menciona que o neto vive com os pais, mas ela nota que ele tem estado mais retraído e evita contato físico nos últimos meses. Ao exame físico, notam-se vários hematomas (alguns arroxeados, outros amarelados) em várias partes do corpo, incluindo costas, braços e pernas. Paciente se mostra reservado, evitando contato visual e mantendo postura corporal defensiva.Com base no caso clínico descrito, qual é a conduta mais apropriada a ser tomada inicialmente?
Suspeita de abuso infantil (hematomas em diferentes estágios, comportamento retraído) → Notificação compulsória imediata.
Diante de uma forte suspeita de abuso infantil, evidenciada por múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização e alterações comportamentais como retraimento e evitação de contato físico, a conduta mais apropriada e legalmente obrigatória é a notificação compulsória aos órgãos competentes para garantir a proteção da criança e iniciar a investigação.
O abuso infantil é uma grave questão de saúde pública, com profundas repercussões físicas, psicológicas e sociais no desenvolvimento da criança. Profissionais de saúde desempenham um papel crucial na identificação e proteção de vítimas. A suspeita de abuso deve ser levantada diante de um conjunto de sinais e sintomas, e não apenas de uma única lesão. A presença de múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização, em locais atípicos ou com padrões sugestivos, é um forte indicativo de abuso físico. Além das lesões físicas, o comportamento da criança é um indicador importante. Sinais como retraimento, evitação de contato físico, medo, ansiedade ou histórias inconsistentes sobre a origem das lesões devem alertar o profissional. Crianças com condições preexistentes, como TDAH, podem ter maior risco de acidentes, mas isso não justifica padrões de lesões que sugiram abuso. A fisiopatologia do abuso não é médica, mas social e psicológica, resultando em trauma físico e emocional. A conduta mais apropriada e legalmente obrigatória, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é a notificação compulsória aos órgãos competentes (Conselho Tutelar, Ministério Público). Essa notificação visa garantir a proteção da criança e iniciar a investigação e o suporte necessários. É um erro grave tentar resolver a situação internamente ou confrontar os supostos agressores, pois isso pode colocar a criança em maior risco. Para residentes, é fundamental estar ciente dessa responsabilidade ética e legal, e saber como e para quem realizar a notificação, priorizando sempre a segurança e o bem-estar da criança.
Sinais de abuso físico incluem hematomas em diferentes estágios de cicatrização, em locais atípicos (costas, nádegas, face), lesões com padrões específicos (marcas de dedos, cintos), queimaduras inexplicáveis, fraturas em crianças não deambuladoras, e lesões genitais. A história inconsistente ou a demora na procura por atendimento também são alertas.
A notificação compulsória é a comunicação obrigatória de casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes aos órgãos de proteção (Conselho Tutelar, Ministério Público, Vara da Infância e Juventude). É a conduta mais apropriada porque garante a intervenção legal para proteger a criança, iniciar a investigação e oferecer o suporte necessário, sendo uma responsabilidade ética e legal do profissional de saúde.
Crianças vítimas de abuso podem apresentar mudanças comportamentais como retraimento, ansiedade, medo excessivo, agressividade, dificuldade de contato visual, evitação de contato físico, regressão de marcos do desenvolvimento, baixo rendimento escolar ou queixas somáticas sem causa orgânica aparente. O TDAH, embora possa predispor a acidentes, não explica o padrão de lesões e o comportamento defensivo.
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