UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021
Quanto ao abuso físico na infância, é correto afirmar:
Lesões por abuso infantil são frequentemente INCOMPATÍVEIS com a história ou desenvolvimento motor da criança.
A questão aborda o abuso físico na infância. Embora a alternativa E seja o gabarito, é fundamental ressaltar que uma das principais bandeiras vermelhas para abuso físico é a INCOMPATIBILIDADE entre a lesão apresentada e a história relatada ou o estágio de desenvolvimento motor da criança. Fraturas em crianças não deambuladoras, fraturas de costelas posteriores, fraturas metafisárias e fraturas em múltiplos estágios de cicatrização são altamente suspeitas. O médico tem o dever legal e ético de notificar casos suspeitos.
O abuso físico na infância é uma forma grave de violência que pode ter consequências devastadoras e duradouras para a saúde física e mental da criança. É um problema de saúde pública complexo, com alta prevalência e subnotificação. Residentes e profissionais de saúde desempenham um papel crucial na identificação precoce e na intervenção, pois são frequentemente os primeiros a ter contato com crianças vítimas de abuso. A capacidade de reconhecer os sinais de alerta e agir de forma apropriada é uma competência essencial. A fisiopatologia das lesões por abuso é variada, dependendo do tipo e da intensidade da agressão. As lesões podem incluir contusões, queimaduras, fraturas e lesões internas. Um dos principais indicadores de abuso é a discrepância entre a história relatada pelos cuidadores e a natureza ou gravidade da lesão, ou a incompatibilidade da lesão com o nível de desenvolvimento motor da criança. Por exemplo, uma fratura de fêmur em um bebê não deambulador é altamente suspeita. A suspeita deve ser levantada quando há atraso na busca por atendimento médico, histórias inconsistentes ou lesões em locais atípicos. O manejo de casos suspeitos de abuso físico exige uma abordagem multidisciplinar. Após a avaliação médica e documentação detalhada das lesões, é imperativo que o médico realize a notificação compulsória às autoridades competentes, conforme a legislação vigente. O tratamento das lesões físicas é apenas uma parte do cuidado, sendo fundamental também o suporte psicossocial à criança e à família, quando apropriado, e a garantia de um ambiente seguro. A educação continuada sobre o tema é vital para todos os profissionais de saúde.
Fraturas altamente suspeitas de abuso em crianças menores de 3 anos incluem fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas metafisárias, fraturas espirais de ossos longos em crianças não deambuladoras e fraturas em diferentes estágios de cicatrização.
O médico tem o dever ético e legal de notificar as autoridades competentes (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude) sobre qualquer suspeita de maus-tratos ou abuso infantil, garantindo a proteção da criança.
A diferenciação envolve avaliar a compatibilidade da lesão com a história relatada e o estágio de desenvolvimento da criança. Lesões por abuso frequentemente não se encaixam na história, são de padrões incomuns ou ocorrem em locais atípicos para acidentes, como lesões em tronco, orelhas, pescoço ou genitais.
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