UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2018
Em uma pesquisa na Unidade Básica de Saúde (UBS) constata-se que existe uma prevalência significativa de pessoas em uso abusivo de álcool, predominantemente de estrato socioeconômico baixo, a maioria homens entre 30 e 49 anos que mantêm suas atividades laborais rotineiras e têm pouca disponibilidade de ir à UBS e pouca vontade de diminuir o uso da substância. Em relação à ação inicial da UBS, assinale a alternativa CORRETA:
Em abuso de álcool com baixa motivação, a redução de danos é mais eficaz que a abstinência.
Para pacientes com uso abusivo de álcool e baixa motivação para abstinência, estratégias de redução de danos são mais realistas e eficazes, visando diminuir os riscos associados ao consumo.
O uso abusivo de álcool é um problema de saúde pública com alta prevalência, especialmente em populações vulneráveis. Na Unidade Básica de Saúde (UBS), a identificação e o manejo desses casos são cruciais. A abordagem deve ser sensível às características socioeconômicas, culturais e ao estágio de prontidão para a mudança do paciente, que muitas vezes apresenta baixa motivação para a abstinência. A fisiopatologia do uso problemático de álcool envolve fatores genéticos, psicossociais e ambientais, levando a um ciclo de dependência e prejuízos. O diagnóstico na UBS pode ser feito por meio de rastreamento com ferramentas como o AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) e uma anamnese detalhada. É importante suspeitar em pacientes com queixas inespecíficas, problemas sociais ou familiares recorrentes. O tratamento na atenção primária deve focar em intervenções breves e estratégias de redução de danos, especialmente quando a abstinência total não é uma meta imediata ou realista para o paciente. Isso pode incluir aconselhamento sobre limites de consumo, identificação de gatilhos e encaminhamento para grupos de apoio. A contratação de psicólogos para atendimento individual pode ser útil, mas não é a única ou a primeira estratégia para todos os vulneráveis.
Para pacientes com baixa motivação para diminuir o uso de álcool, a abordagem inicial mais adequada na UBS é a estratégia de redução de danos, que visa minimizar os prejuízos à saúde e sociais associados ao consumo, em vez de focar imediatamente na abstinência total.
A estratégia de abstinência pode ser menos eficaz em populações com baixa motivação porque exige um comprometimento que muitos usuários não estão prontos para assumir. Nesses casos, metas mais realistas de redução de danos podem ser mais alcançáveis e servir como um primeiro passo para mudanças maiores.
Ações de promoção à saúde na comunidade, adaptadas ao contexto e à realidade do segmento mais vulnerável, são adequadas. Isso inclui educação em saúde, identificação precoce de casos e oferta de suporte acessível, considerando a pouca disponibilidade e vontade de ir à UBS.
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