UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Uma jovem de 25 anos é trazida ao pronto-socorro após ter sofrido colisão leve com um ciclista. O ciclista achou melhor levá-la ao hospital pois ela parecia agitada. No atendimento, a paciente disse que não conseguia dormir há 2 dias e vem apresentando, há 3 dias, ansiedade, inquietação e mialgia generalizada. Ao exame clínico, foram identificadas pupilas dilatadas, lacrimejamento, piloereção e sudorese. A condição mais provável que explicaria a condição da paciente seria a abstinência de qual das seguintes substâncias?
Midríase + Piloereção + Lacrimejamento + Diarreia/Cólica → Abstinência de Opioides.
A síndrome de abstinência de opioides manifesta-se por hiperatividade autonômica, incluindo midríase, piloereção e sintomas gripais (rinorreia/lacrimejamento).
A síndrome de abstinência de opioides ocorre após a interrupção ou redução abrupta do uso pesado e prolongado de substâncias como heroína, morfina, oxicodona ou fentanil. A fisiopatologia envolve a desinibição do locus coeruleus e um surto de atividade noradrenérgica, explicando a agitação e os sinais autonômicos. O quadro clínico é frequentemente descrito como uma 'gripe severa'. A presença de piloereção e midríase é altamente sugestiva e ajuda a diferenciar de outras síndromes de abstinência. O tempo de início varia conforme a meia-vida da droga: 6-12 horas para heroína e até 30 horas para metadona. O reconhecimento rápido no pronto-socorro evita investigações desnecessárias e permite o início do suporte humanizado ao paciente dependente.
Os sinais clássicos incluem midríase (pupilas dilatadas), piloereção (arrepios, origem do termo 'cold turkey'), lacrimejamento, rinorreia, sudorese, bocejos frequentes, taquicardia e hipertensão leve. O paciente também apresenta sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia, além de mialgia e artralgia intensas.
Diferente da abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, que pode causar convulsões e delirium tremens fatal, a abstinência de opioides é extremamente desconfortável, mas raramente fatal em adultos saudáveis. O risco principal advém da desidratação e distúrbios eletrolíticos causados por vômitos e diarreia profusos, ou complicações em pacientes com comorbidades cardiovasculares graves.
O tratamento visa o controle sintomático e a redução do 'craving'. Podem ser usados agonistas alfa-2 adrenérgicos (como a clonidina) para reduzir a hiperatividade autonômica. Sintomáticos como antieméticos, antidiarreicos (loperamida) e analgésicos (AINEs ou dipirona) são fundamentais. Em cenários específicos, a substituição por opioides de longa duração (metadona ou buprenorfina) pode ser iniciada para estabilização.
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