Abstinência Alcoólica: Manejo e Deficiências Vitamínicas

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Sobre o caso clínico: paciente de 46 anos, reside em situação de rua, etilista, consumo diário de mais de 1 litro de destilado diariamente, comparece ao departamento de emergência com relato do SAMU de ter sido encontrado em via pública após 1 episódio de crise convulsiva. Na admissão, foi notado quadro de confusão mental, alucinações visuais, sudorese e agitação psicomotora. Marque a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A base do tratamento da crise de abstinência alcoólica são os benzodiazepínicos.
  2. B) A deficiência vitamínica mais comum, nesta situação, é a de vitamina C, e está indicada a sua reposição em altas doses.
  3. C) É comum a ocorrência de crises convulsivas nas primeiras 24 horas da crise de abstinência alcoólica.
  4. D) Achados laboratoriais como aumento de Gama-GT, plaquetopenia e macrocitose auxiliam na suspeição de etilismo ativo nos pacientes que se apresentam na emergência.

Pérola Clínica

Deficiência de tiamina (B1) é comum na abstinência alcoólica, não de vitamina C.

Resumo-Chave

A deficiência vitamínica mais comum e clinicamente relevante na abstinência alcoólica e no etilismo crônico é a de tiamina (vitamina B1), que pode levar à Síndrome de Wernicke-Korsakoff. A reposição de tiamina é crucial e deve ser feita antes da glicose para evitar precipitar ou agravar a encefalopatia. A deficiência de vitamina C não é a mais comum ou prioritária nesta situação.

Contexto Educacional

A crise de abstinência alcoólica é uma emergência médica que pode variar de sintomas leves a quadros graves como convulsões e delirium tremens, com risco de vida. O paciente descrito apresenta sinais clássicos de abstinência grave, incluindo confusão mental, alucinações, sudorese e agitação psicomotora, além de uma crise convulsiva prévia. A base do tratamento para a crise de abstinência alcoólica são os benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam), que agem nos receptores GABA, controlando a hiperatividade do sistema nervoso central causada pela retirada do álcool. Crises convulsivas são comuns, especialmente nas primeiras 24-48 horas após a última dose de álcool. Em relação às deficiências vitamínicas, a mais comum e clinicamente relevante em pacientes etilistas crônicos é a de tiamina (vitamina B1), não a de vitamina C. A deficiência de tiamina pode levar à encefalopatia de Wernicke e à psicose de Korsakoff, condições neurológicas graves. A reposição de tiamina é fundamental e deve ser realizada antes da administração de glicose para evitar a precipitação ou agravamento da encefalopatia. Achados laboratoriais como aumento de Gama-GT, macrocitose (VCM elevado) e plaquetopenia são úteis para auxiliar na suspeição de etilismo ativo.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento de primeira linha para a crise de abstinência alcoólica?

Os benzodiazepínicos são a base do tratamento da crise de abstinência alcoólica, pois atuam nos receptores GABA, mimetizando o efeito do álcool e controlando a hiperatividade do sistema nervoso central, reduzindo sintomas como agitação, tremores e prevenindo convulsões e delirium tremens.

Qual a deficiência vitamínica mais importante a ser reposta em pacientes etilistas?

A deficiência de tiamina (vitamina B1) é a mais crítica em pacientes etilistas crônicos, pois sua carência pode levar à encefalopatia de Wernicke e psicose de Korsakoff. A reposição de tiamina deve ser feita rotineiramente e antes da administração de glicose para evitar precipitar ou agravar a encefalopatia.

Quais achados laboratoriais podem sugerir etilismo crônico?

Achados como aumento de Gama-GT (GGT), volume corpuscular médio (VCM) elevado (macrocitose) e plaquetopenia são marcadores comuns de etilismo crônico. O VCM elevado é um dos mais sensíveis, refletindo o efeito tóxico do álcool na medula óssea e nos eritrócitos.

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