Pancreatite Crônica: Má Absorção e Características da Esteatorreia

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2020

Enunciado

A incidência anual da pancreatite crônica tem sido estimada entre 2 e 9 casos por 100.000 habitantes por ano. Está inadequado que:

Alternativas

  1. A) O quadro clínico típico da má absorção é a presença de esteatorreia (fezes escuras, acinzentadas, volumosas, com cheiro forte, nunca com gotas de gordura visíveis), associada à perda de peso a despeito de uma ingestão nutricional adequada.
  2. B) A principal causa de deficiência pancreática exócrina não genética é a pancreatite crônica.
  3. C) Outras causas menos frequentes são os tumores pancreáticos, quando causam obstrução do ducto pancreático, e as pancreatectomias totais ou subtotais.
  4. D) Há grande reserva funcional, daí a má absorção de gordura e proteínas não ser aparente até que pelo menos 90% da função pancreática estejam perdidas.

Pérola Clínica

Esteatorreia por má absorção pancreática: fezes volumosas, claras, com cheiro forte, e podem ter gotas de gordura visíveis.

Resumo-Chave

A má absorção de gordura na pancreatite crônica é um sinal tardio, pois o pâncreas possui grande reserva funcional. A esteatorreia é caracterizada por fezes claras e gordurosas, e a presença de gotas de gordura visíveis é um achado comum, contrariando a afirmação da questão.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que leva à destruição irreversível do parênquima, resultando em insuficiência pancreática exócrina e endócrina. A incidência anual varia, mas é uma condição de grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, exigindo manejo clínico complexo e acompanhamento contínuo. A compreensão de suas manifestações é crucial para o diagnóstico e tratamento adequados. A má absorção é uma complicação comum da pancreatite crônica avançada, manifestando-se principalmente como esteatorreia devido à deficiência de lipase. É importante ressaltar que o pâncreas tem uma grande reserva funcional, e a má absorção só se torna evidente quando há perda significativa da função exócrina. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por testes de função pancreática exócrina, como a elastase fecal. O tratamento da má absorção envolve a reposição de enzimas pancreáticas, ajuste dietético e suplementação de vitaminas lipossolúveis. O manejo da pancreatite crônica também inclui controle da dor, tratamento do diabetes e cessação do álcool e tabaco. A identificação correta das características da esteatorreia é fundamental para o reconhecimento precoce e a instituição da terapia de reposição enzimática, melhorando a nutrição e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da má absorção na pancreatite crônica?

Os principais sinais e sintomas incluem esteatorreia (fezes volumosas, pálidas, gordurosas, com odor fétido), perda de peso inexplicável, dor abdominal crônica e deficiências vitamínicas (principalmente vitaminas lipossolúveis).

Por que a má absorção de gordura é um sinal tardio na pancreatite crônica?

O pâncreas possui uma grande reserva funcional. A má absorção de gordura e proteínas só se torna clinicamente aparente quando mais de 90% da função pancreática exócrina está comprometida, devido à redução significativa da produção de lipase e outras enzimas digestivas.

Quais são as principais causas de insuficiência pancreática exócrina?

A principal causa não genética é a pancreatite crônica. Outras causas incluem tumores pancreáticos que obstruem o ducto, pancreatectomias totais ou subtotais, fibrose cística e, mais raramente, síndrome de Shwachman-Diamond.

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