FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Paciente 59 anos, portador de estenose mitral moderada, é internado na enfermaria de Clínica Médica com diagnóstico de endocardite infecciosa de valva mitral (vegetação confirmada ecocardiograma), em uso de ceftriaxona e vancomicina (empiricamente, aguardando resultado de culturas). No 3º dia de internação evolui com palidez cutânea, hipotensão, bradicardia, com o seguinte eletrocardiograma (abaixo). Sobre o caso assinale o diagnóstico e a conduta mais adequados:
Endocardite + novo bloqueio de condução (BAV) → Abscesso valvar (indicação de cirurgia de urgência).
O desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares na endocardite sugere extensão perivalvar da infecção (abscesso), exigindo intervenção cirúrgica imediata e suporte com marcapasso.
A endocardite infecciosa é uma doença com alta morbimortalidade, e a extensão perivalvar é uma das complicações mais temidas. O envolvimento do esqueleto fibroso do coração ocorre mais frequentemente na valva aórtica, mas pode ocorrer na mitral. O eletrocardiograma é uma ferramenta de triagem fundamental: qualquer novo prolongamento do intervalo PR ou bloqueio de ramo deve levantar a suspeita de abscesso. O tratamento padrão-ouro envolve a combinação de antibioticoterapia prolongada, estabilização elétrica com marcapasso se necessário e, crucialmente, a intervenção cirúrgica para limpeza do foco infeccioso e substituição valvar.
A infecção pode se estender além dos folhetos valvares para o tecido adjacente, formando abscessos. Como o sistema de condução elétrica do coração (nó AV e feixe de His) passa próximo aos anéis valvares, a formação de um abscesso pode comprimir ou destruir essas vias, resultando em bloqueios atrioventriculares de diversos graus, incluindo o BAVT.
A presença de complicações perivalvares, como abscessos, fístulas ou pseudoaneurismas, é uma indicação clássica de cirurgia cardíaca de urgência (Classe I). O tratamento clínico isolado com antibióticos é insuficiente para erradicar a infecção em tecidos necrosados e abscessos, além do risco iminente de instabilidade hemodinâmica e morte.
Sim, o marcapasso temporário é indicado para estabilização hemodinâmica em pacientes com bradicardias sintomáticas ou BAV de alto grau (como o BAVT) decorrentes de endocardite. Embora exista o risco teórico de infecção do eletrodo, a prioridade é a manutenção do débito cardíaco até que a cirurgia definitiva de troca valvar e desbridamento seja realizada.
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