Abscesso Tubo-Ovariano: Diagnóstico em Emergência

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

M. G., 24 anos, nuligesta, está no oitavo dia do ciclo menstrual e a última menstruação encerrou-se há quatro dias. Foi atendida em um serviço de emergência com quadro de dor pélvica iniciada há 12 dias, com piora significativa há sete horas, principalmente em fossa ilíaca direita, associada à taquicardia, fraqueza e inapetência. Nega alterações urinárias ou intestinais. No exame físico apresentou temperatura axilar de 38,6°C, PA: 100/60 mmHg e pulso de 102 bpm, dor importante à palpação de andar inferior do abdome, com descompressão brusca positiva de fossa ilíaca direita. Ao toque vaginal bimanual sentiu-se aumento de calor local e massa anexial de quatro centímetros em fossa ilíaca direita. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) gravidez ectópica.
  2. B) endometrioma ovariano direito.
  3. C) tumor maligno ovariano.
  4. D) hidrossalpinge.
  5. E) abcesso tubo-ovariano.

Pérola Clínica

Mulher jovem, dor pélvica febril, massa anexial + sinais de irritação peritoneal → Abscesso Tubo-Ovariano.

Resumo-Chave

O quadro de dor pélvica progressiva, febre, taquicardia, sinais de irritação peritoneal e massa anexial palpável em uma mulher jovem sugere fortemente um abscesso tubo-ovariano, uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizada pela formação de uma coleção purulenta envolvendo a tuba uterina e o ovário. É mais comum em mulheres jovens, sexualmente ativas, e pode ser desencadeado por infecções sexualmente transmissíveis. O quadro clínico típico envolve dor pélvica intensa, febre, calafrios e sinais de inflamação sistêmica. No caso apresentado, a paciente nuligesta com dor pélvica de início insidioso e piora aguda, associada a febre (38,6°C), taquicardia (102 bpm), hipotensão relativa (100/60 mmHg), dor à palpação abdominal com descompressão brusca positiva em fossa ilíaca direita e uma massa anexial palpável de 4 cm com aumento de calor local ao toque vaginal, é altamente sugestivo de ATO. Os sinais de irritação peritoneal indicam uma inflamação que se estende além dos anexos. É importante diferenciar o ATO de outras causas de dor pélvica aguda. A gravidez ectópica, embora cause dor pélvica e massa anexial, geralmente cursa com atraso menstrual e teste de gravidez positivo, sem os marcadores inflamatórios e febre tão proeminentes. Endometrioma ovariano causa dor crônica, mas raramente um quadro agudo febril com sinais de peritonite. Hidrossalpinge é uma tuba dilatada por líquido, geralmente assintomática ou com dor crônica, sem febre aguda. Tumor maligno ovariano raramente apresenta um quadro agudo febril e inflamatório como o descrito. Portanto, o abscesso tubo-ovariano é o diagnóstico mais provável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem abscesso tubo-ovariano?

Os principais achados incluem dor pélvica intensa e progressiva, febre, taquicardia, sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva) e a presença de uma massa anexial palpável ao exame físico.

Como diferenciar um abscesso tubo-ovariano de uma gravidez ectópica?

A gravidez ectópica geralmente apresenta atraso menstrual, teste de gravidez positivo e dor pélvica, mas raramente febre alta e sinais inflamatórios sistêmicos tão proeminentes quanto no ATO.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico de abscesso tubo-ovariano?

A ultrassonografia transvaginal é crucial para confirmar a presença e as características da massa anexial, diferenciando-a de outras condições e avaliando o tamanho e a complexidade do abscesso.

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