Abscesso Tubo-Ovariano: Manejo e Tratamento da DIP Grave

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Mariana, 28 anos, sexualmente ativa com múltiplos parceiros e sem método contraceptivo regular, procura o pronto-socorro com dor pélvica intensa, de início súbito há 3 dias, acompanhada de febre alta (39,5°C), calafrios, náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresenta-se taquicárdica (FC 115 bpm), hipotensa (PA 90/60 mmHg), com abdome doloroso à palpação profunda em hipogástrio e fossa ilíaca direita, com descompressão dolorosa generalizada. Ao exame ginecológico, observam-se secreção mucopurulenta abundante no orifício externo do colo e dor excruciante à mobilização cervical e à palpação bimanual, com uma massa anexial direita extremamente dolorosa, medindo aproximadamente 7 cm. Exames laboratoriais revelam leucocitose de 20.000/mm³ com 15% de bastões e PCR de 150 mg/L. O beta-hCG é negativo. A ultrassonografia transvaginal demonstra útero e ovário esquerdo normais, mas o ovário direito está aumentado, com presença de formação cística complexa de paredes espessadas e septações internas, medindo 7,2 x 6,8 cm, sugestiva de abscesso tubo-ovariano, além de moderada quantidade de líquido livre na pelve. Diante deste quadro, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia oral com levofloxacino e metronidazol, e reavaliar em 48 horas.
  2. B) Internar a paciente para antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, com esquema que cubra anaeróbios e Gram-negativos, e considerar drenagem percutânea ou cirúrgica do abscesso se não houver melhora clínica em 48-72 horas.
  3. C) Realizar laparoscopia diagnóstica e terapêutica imediata para drenagem do abscesso tubo-ovariano.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia intramuscular com ceftriaxona e doxiciclina, e orientar repouso e analgesia domiciliar.

Pérola Clínica

Abscesso tubo-ovariano com sinais de sepse/DIP grave → internação, ATB IV amplo espectro; considerar drenagem se sem melhora.

Resumo-Chave

Abscesso tubo-ovariano é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) que exige internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro. A drenagem percutânea ou cirúrgica é reservada para casos que não respondem ao tratamento clínico inicial ou em situações de ruptura.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que é uma infecção do trato genital superior feminino. É mais comum em mulheres jovens, sexualmente ativas, com múltiplos parceiros e sem uso de contracepção de barreira. A DIP e suas complicações, como o ATO, representam um desafio diagnóstico e terapêutico significativo na prática ginecológica e para residentes. A fisiopatologia do ATO geralmente envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo do útero (como Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, e bactérias entéricas e anaeróbias) para as tubas uterinas e ovários, formando uma massa inflamatória e purulenta. O quadro clínico é de dor pélvica intensa, febre, calafrios, náuseas, vômitos e sinais de irritação peritoneal, como descompressão dolorosa. Exames laboratoriais mostram leucocitose e PCR elevado. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para o diagnóstico, evidenciando uma massa anexial complexa. Diante de um ATO, especialmente com sinais de sepse (taquicardia, hipotensão) e grande volume, a conduta mais adequada é a internação hospitalar para antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos. A drenagem do abscesso, seja percutânea ou cirúrgica, deve ser considerada se não houver melhora clínica em 48-72 horas ou em casos de ruptura. A laparoscopia imediata pode ser necessária em casos de peritonite generalizada ou instabilidade hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para internação de pacientes com Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Critérios incluem suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, falha do tratamento oral, incapacidade de tolerar medicação oral, DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, sinais de peritonite), imunodeficiência e incerteza diagnóstica.

Qual o esquema de antibioticoterapia endovenosa recomendado para abscesso tubo-ovariano?

O esquema deve ser de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos, Gram-positivos e anaeróbios. Exemplos incluem Cefoxitina + Doxiciclina, Clindamicina + Gentamicina, ou Piperacilina/Tazobactam.

Quando a drenagem de um abscesso tubo-ovariano é indicada?

A drenagem é indicada se não houver melhora clínica após 48-72 horas de antibioticoterapia endovenosa, se o abscesso for muito grande (> 7-10 cm), ou em caso de ruptura do abscesso. Pode ser percutânea guiada por imagem ou cirúrgica (laparoscopia/laparotomia).

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